Sticky Fingers: a banda que mistura reggae, rock e psicodelia como ninguém

banda Sticky Fingers posando em frente a ônibus amarelos durante divulgação de turnê
Sticky Fingers retorna ao Brasil com shows em agosto de 2026

O Sticky Fingers surgiu em Sydney em 2008, quando o vocalista Dylan Frost foi encontrado fazendo bico como músico de rua no bairro de Newtown. O baixista Paddy Cornwall e o baterista Beaker Best o convidaram para entrar no projeto, que na época já tinha Seamus Coyle na guitarra. O tecladista Freddy Crabs completou a formação pouco depois, depois de Paddy deixar claro que era hora de se comprometer de vez com a banda.

Existe uma cena que resume bem o que é o Sticky Fingers. Em 2010, depois de terem sua inscrição recusada duas vezes pelo Newtown Festival, em Sydney, os caras simplesmente montaram um palco improvisado no quintal de um amigo, vizinho ao evento, e tocaram do mesmo jeito. A aposta funcionou: além de conquistarem uma vaga no festival no ano seguinte, chamaram a atenção do produtor Dann Hume, que estaria presente em boa parte da trajetória deles. Era 2010, a banda tinha dois anos de estrada e ainda não tinha álbum nenhum. Mas já sabia exatamente quem era.

No ano seguinte, veio o lançamento do Extended Play, uma obra de 7 músicas com menos de meia hora no total, e logo depois, em 2013, com uma certa maturidade adquirida, o seu grande clássico, o disco Caress Your Soul, que recentemente, em 2024, recebeu uma nova remasterização realizada no estúdio Abbey Road.

Vale mencionar que esse quinteto não é exatamente 100% australiano. O baterista Eric “Beaker Best” da Silva Gruener tem origem brasileira por parte de mãe, e ele chegou a tentar ensinar algumas palavras em português para os outros membros. Já Dylan Frost é neozelandês, descendente maori.

Tudo junto: reggae, rock e psicodelia

Definir o Sticky Fingers é uma tarefa que a própria banda desistiu de fazer de forma séria. Eles já descreveram o próprio som como um caldeirão de reggae, psicodelia e bourbon. No entanto, dentro de um imaginário coletivo, o som do Sticky Fingers é tudo o que se imagina ouvir de uma banda vinda da terra dos cangurus. O clipe da música Australian Street traduz muito bem isso. Mas, houve uma construção até que a banda chegasse nesse resultado.

O EP de estreia, lançado em 2009, já mostrava um som predominantemente baseado no reggae. Com o tempo, esse reggae foi ganhando camadas: guitarras mais distorcidas, teclados psicodélicos, letras que transitam entre hedonismo, vício, amor e introspecção. A banda foi saindo do rock de garagem e incorporando rap, psicodelia e até elementos de pop sem perder a identidade.

O Sticky Fingers nunca foi fácil de encaixar em uma caixinha. São australianos com sangue brasileiro e neozelandês, tocam reggae com peso de rock, fazem psicodelia sem perder o groove. Já estiveram no topo, despencaram, voltaram e repetiram o ciclo. A história deles é, em muitos sentidos, a própria música que fazem: bagunçada, honesta e difícil de parar de ouvir.

Da garagem ao topo das paradas

Caress Your Soul chegou à posição 39 das paradas australianas no ano de seu lançam,ento. Já Land Of Pleasure de 2014, subiu para o número 3 na época que saiu e rendeu um disco de ouro. A banda foi crescendo em silêncio, sem grandes gravadoras por trás, operando de forma completamente independente.

O pico comercial veio em 2016 com o disco Westway (The Glitter & the Slums), que foi gravado em grande parte num único mês no Karma Sound Studios, em Bang Saray, na Tailândia, e lançado em setembro daquele ano. O disco estreou na posição número 1 das paradas australianas. Ao todo, foram três álbuns consecutivos no top 5 australiano, mais de 1 bilhão de streams acumulados e shows esgotados em arenas. Tudo isso sem seguir o caminho convencional da indústria.

Uma nova fase

Em 2025, o vocalista Dylan Frost se afastou da banda por questões pessoais e foi substituído pelo músico Claude Bailey, músico que construiu seu nome na cena australiana à frente do Camino Gold, uma banda de indie pop e surf rock de Newcastle que teve o Sticky Fingers como uma de suas principais influências declaradas. Sendo essa uma surpreendente ironia do destino, pois Bailey cresceu ouvindo Dylan Frost e hoje canta no lugar dele. O anúncio foi recebido com um misto de receio e empolgação pelos fãs, mas as primeiras apresentações dissiparam boa parte das dúvidas. A banda não mudou de identidade. O que mudou foi quem entrega as letras na frente do palco, e Claude mostrou que consegue dar conta do recado e seguir com o legado de quem ele tanto se inspirou.

A volta ao Brasil

O Brasil entrou na rota do Sticky Fingers novamente antes do que se esperava. A primeira visita aconteceu em 2020, com shows em Belo Horizonte e Porto Alegre. Em 2022, a banda voltou para uma turnê mais extensa, passando por São Paulo, Rio de Janeiro e encerrando no Encontro das Tribos, na Arena Anhembi. Naquela noite, mesmo com Dylan rouco e ocasionalmente perdendo a letra, a resposta do público foi tão intensa que ficou claro que a conexão do público brasileiro com a banda era real. 

E claro, o fato do baterista Beaker Best ter mãe brasileira, adiciona uma camada extra a essa relação. Em agosto de 2026, a banda volta ao país com quatro shows confirmados: São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Com Claude Bailey no vocal e The Terrys como convidados especiais.