CPM22 faz encontro de gerações em casa lotada em comemoração aos 31 anos de banda

CPM22 durante show de comemoração aos 31 anos na Audio, em São Paulo
CPM22 comemora 31 anos de carreira com show na Audio, em São Paulo.

O aniversário de 31 anos do CPM22 coincidiu com um show à altura de toda a história da banda. Depois de rodarem pelo Brasil com a turnê de 30 anos, eles desembarcaram justamente na cidade que os criou. No dia 22 de agosto, na Audio, em São Paulo, o grupo reuniu gerações e promoveu um verdadeiro passeio pela própria história.

“Eu tô meio nervoso… eu nunca fico nervoso”, disse o VJ da banda, Gustavo Michelucci. E o nervosismo tinha motivo, porque antes mesmo de os músicos subirem ao palco, um coro de “Uh, CPM!” já ecoava pela casa. Quando o telão anunciou a primeira música, o público vibrou ao identificar os primeiros acordes de Regina, Let’s Go, um dos grandes clássicos da banda e faixa de abertura do primeiro disco, A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum.

“Espero que vocês tenham se alimentado bem, porque o show é fogo”, disse Badauí, vocalista e frontman que parece incansável. Ao longo das músicas seguintes, rodas se formaram na pista, garrafas d’água foram jogadas para o alto e camisetas giravam nas mãos de fãs já completamente suados, mesmo com a apresentação apenas no início.

Os shows atuais do CPM22 têm a bonita característica de conseguir unir diversas gerações. Não é incomum encontrar crianças gritando a plenos pulmões músicas que provavelmente conheceram por meio dos pais, que as acompanham com olhares orgulhosos. Crianças que nasceram muito tempo depois do primeiro single da banda, mas que, de alguma forma, também se emocionam com o poder daquelas músicas.

Não é só Badauí que parece ter energia sobrando. Os companheiros de banda Luciano e Phil, guitarristas, Ali Zaher, baixista, e Daniel, baterista, acompanham o ritmo e a empolgação do público. Depois de Peter, o vocalista agradeceu aos fãs por ajudarem a banda a realizar o sonho de viver da música. Também disse que aquele era o momento de esquecer os problemas lá fora e se respeitar ali dentro, “porque é isso que o punk rock é”.

Mais seis músicas, entre elas 30 Anos Depois, single de comemoração das três décadas da banda, foram tocadas antes do início do bloco acústico. Nesse momento, o público se acalmou e os olhares se voltaram para o palco. Pra Sempre abriu a parte mais tranquila do set enquanto um mar de lanternas surgiu entre os fãs. Foram cinco músicas acústicas antes de uma volta triunfal com Um Minuto Para o Fim do Mundo, recebida com euforia pela plateia.

Antes do início de Estranho no Espelho, Badauí relembrou que o álbum Cidade Cinza, lançado em 2007, venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro em 2008. A faixa-título do disco também apareceu no repertório alguns momentos depois.

Durante Pensamentos Negativos, a sensação é de que o público está, além de assistindo a um show, apreciando um filme de sci-fi que parece ter saído direto da URSS. O telão exibe um filme de atmosfera futurista e sombria para acompanhar a canção.

Quase duas horas de show depois, o público não havia sequer se movido e fãs começaram a subir ao palco para momentos de crowdsurfing. Uma criança subiu e abraçou o vocalista, prova de que, mais de 30 anos depois, a banda continua conquistando novas gerações. As rodas continuavam girando e o CPM22 parecia ter acabado de subir ao palco, entregando a mesma performance e energia do início.

A última música de um setlist com 30 faixas foi a faixa-título do primeiro álbum lançado pelo CPM22, A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum. No LED atrás dos músicos, elementos visuais da identidade da banda passavam repetidamente. Ao final, Badauí agradeceu novamente aos fãs e à equipe. Mesmo depois de mais de duas horas, o público ainda parecia esperar que não terminasse ali. O show acabou, mas ficou evidente que o CPM22 continua vivo e muito longe de parar.

O CPM22 é a prova de que uma banda pode permanecer viva por décadas sem perder a essência, sem se curvar à velocidade do algoritmo e sem seguir tendências somente para agradar a um público volátil. Eles conquistam indivíduo por indivíduo e formam uma base fiel, que acompanha a banda em diferentes momentos de sua trajetória.

Abrindo uma licença poética para finalizar, a história do CPM22 começa em 1995, dois anos antes do nascimento de quem escreve aqui. Em 2009, os vi pela primeira vez em um show na minha minúscula cidade natal. Foi o primeiro show da minha vida. Eles, de São Paulo; eu, do Paraná.

No aniversário da banda, em São Paulo, eu estava lá na condição de jornalista, e não mais como a criança embasbacada com aquele mundo novo. Não há nada mais bonito do que seguir um sonho, e a comemoração dos 31 anos do CPM22 tornou isso ainda mais evidente.

Afinal de contas, o mundo realmente dá voltas.