Lançado em 20 de fevereiro de 1996, o disco Roots, da banda Sepultura, fez com que os olhos do mundo voltassem para o metal do Brasil. O álbum levou a banda a experimentar uma sonoridade que misturava o peso do metal com elementos da música brasileira, criando algo que não se parecia com nenhuma outra grande banda da época.
Mais do que um disco importante para a carreira do Sepultura, Roots ajudou a mostrar que uma banda brasileira não precisava abandonar suas próprias referências para conquistar espaço no cenário internacional.
Música brasileira dentro do metal
A ideia de Roots nasceu justamente da vontade de voltar às origens. O Sepultura já havia conquistado reconhecimento com álbuns como Arise e Chaos A.D_._, mas, para o novo trabalho, os integrantes decidiram explorar elementos que faziam parte da sua própria identidade.
Um dos principais exemplos está na faixa “Roots Bloody Roots”, que se tornou um dos maiores clássicos da banda. O álbum também contou com a participação dos indígenas da tribo Xavante, gravada durante uma viagem realizada pelo grupo ao Mato Grosso.
Em entrevista ao canal Xablaw, o guitarrista e líder do Sepultura, Andreas Kisser, disse: “Roots é um disco muito emblemático, muito único! Essa coisa dos ritmos brasileiros com a música pesada, coisa que ninguém tinha feito antes. Os gringos, principalmente, piraram nisso num primeiro instante”.
Os cantos e percussões registrados nessa experiência foram incorporados ao disco e ajudaram a criar uma sonoridade que unia o metal extremo do Sepultura a elementos da música indígena brasileira. A capa do álbum também faz referência ao Brasil, sendo o desenho da parte de trás de uma nota de mil cruzeiros.
Três décadas depois, Roots continua sendo considerado um dos álbuns mais importantes da carreira do Sepultura e do metal brasileiro. A banda mostrou que é possível alcançar o público internacional sem deixar as raízes de lado.


