Bad Luv equilibra peso sonoro e vulnerabilidade lírica em O Medo Não Me Parou

Em entrevista à Moodgate, Caio Weber e Johnny contam os bastidores da criação do novo álbum da Bad Luv.
Em entrevista à Moodgate, Caio Weber e Johnny contam os bastidores da criação do novo álbum da Bad Luv. Foto: LOIRO

“Eu espero que quando ouvirem o álbum, além da conexão, seja que consigam, de certa forma, ficar de frente com sentimentos assim, saca?” 

Caio Weber para a Moodgate.

O segundo álbum de estúdio da banda, O MEDO NÃO ME PAROU, trouxe à Bad Luv a oportunidade de ser ainda mais transparente em suas composições, com a introspecção como foco em meio a um ritmo pesado e melódico de nove faixas que se conversam e formam uma linha do tempo quase que involuntária.

Com uma nova troca de vocalista e formado por Caio Weber (vocal), João Bonafé/Johnny (baixo), Gee Rocha (guitarra), Vítor Peracetta (bateria) e Murilo Amancio (guitarra), o grupo lançou os singles SONHO BOM, SINTO SUA FALTA e FURACÃO para a divulgação do novo projeto, bem como apostou em vídeoclipes sombrios e cenograficamente ambientados de acordo com as histórias contadas através das músicas.

A Moodgate conversou com a banda e te conta a seguir mais sobre a concepção, nuances, ritmo, melodia e curiosidades sobre o novo álbum da Bad Luv. Confira:

O MEDO NÃO ME PAROU não possui rodeios, ele é direto ao ponto e à flor da pele, com sentimentos angustiantes e nostálgicos expostos a todo o momento, mas apontando caminhos e mostrando que há muito mais do que isso na vida. Ele é, sobretudo, um álbum que fala sobre vulnerabilidade em diversas situações e sentimentos.

Johnny comentou sobre a importância do álbum deixar a interpretação livre apesar disso, para que cada ouvinte consiga, de certa forma, agregar a sua vivência. “Cada música tem um sentimento diferente ali e a pessoa vai absorvendo. E o bom de ela ter essa parada mais livre ali de não ser uma mensagem tão fechada também, dá a chance da pessoa questionar, pensar e ter a interpretação dela, tá ligado? Eu acho que é essa parada, refletir ali, né?”, contou o baixista.

Capa do álbum O Medo Não me Parou, do Bad Luv. Foto: Divulgação/Rockambole

Em complemento, Caio Weber falou sobre a temática do álbum que abrange diversos temas que se complementam, sem medo de extravasar sentimentos difíceis de lidar, conectando com a jornada da banda, já que alguns integrantes iniciaram sua jornada na Bad Luv após encerrarem suas histórias em outros grupos, também citando a importância do primeiro álbum para a era seguinte.

“Acho que O MEDO NÃO ME PAROU é exatamente essa continuação. A gente se encontrou nesse momento de vulnerabilidade e entendeu que talvez o cenário perfeito nunca exista e que a gente vai precisar lidar com isso, saca? Se você ficar esperando o momento certo ou o medo ir embora, talvez nada aconteça”, reforçou Caio.

E, em meio aos temas abordados nas canções, surgiu o nome do álbum que, Weber e Johnny contaram que foi decidido de forma natural. “O nome veio da faixa, que surgiu antes do nome. Inclusive, eu lembro exatamente a hora que a gente escolheu o nome. A gente estava ali na casa do Johnny ensaiando lá embaixo, finalizando as gravações e estava nessa de ‘qual vai ser o nome do disco?’ e aí eu subi para pegar água, ir no banheiro, sei lá, e quando eu desci os caras já tinham falado: ‘Mano, o que você acha de ‘O MEDO NÃO ME PAROU’?”, afirmou o vocalista.

“No fundo, também foi a gente pensando na nossa história mesmo, porque a gente passou vários perrengues como banda. A gente tem várias coisas que, estatisticamente, levariam a gente a não seguir esse caminho, mas a gente segue com medo e tudo, a gente vai para cima da parada, tá ligado? Essa parada é o nosso sonho, é o bagulho que a gente ama. Então não é o medo que vai fazer a gente parar de fazer essa parada, tá ligado?”, João Bonafé para a Moodgate.

O álbum conta sobre vivências e anseios de todos os integrantes, abordando questões de saúde mental, desilusões amorosas, identidade, amadurecimento e, também, sobre esperança. “As histórias são verdadeiras, são coisas que realmente a gente passa, que realmente a gente tá sentindo, por mais que seja através do eu lírico do Caio ali que se cria todas as paradas, ele sempre tem a intenção de conectar essa parada com o resto da galera” comentou Johnny.

Weber e Johnny também comentaram sobre o clima caótico e intrínseco do projeto que, aos poucos, é cascateado para ritmos mais intimistas e temas “mais simples”, como o relacionamento a dois. É o caso da sequência de SINTO SUA FALTA para VÍCIO, faixas que se complementam e ditam o tom do encerramento do disco.

Essa mesma dinâmica se repete no início do álbum, mas com um ritmo mais frenético: a faixa-título abre o projeto abordando a paralisia diante da incerteza e da ansiedade diante do “depois”, enquanto FURACÃO surge em seguida usando a catástrofe natural como metáfora para os impactos emocionais que instauram o caos no dia a dia, mas que precisam ser superados em uma luta consigo mesmo.

“O mundo é um caos, os sentimentos muitas vezes são confusos e às vezes a gente não consegue controlar, mas existe um motivo que vale a pena estar vivo”, Caio Weber para Moodgate.

Weber também falou sobre o fechamento do álbum, que simboliza a esperança e o surgimento de coisas boas, sendo um reforço de que o storytelling do projeto visa mostrar a vida além do caos. “E o álbum fechar com SONHO BOM, que é a música que a gente fez para a filhinha do Ge, para mim é muito simbólico, porque você tem ali no final o nascimento de uma vida, né? Então ele é quase que o ciclo da vida. Ele começa na coisa caótica, no existencialismo, até que ele chega nessa coisa da simplicidade, de entender a beleza que existe no dia-a-dia, e aquilo deságua numa vida que, dentro do disco, para mim simboliza muito esse sinal de esperança˜, explicou o vocalista.

Bonafé também comentou sobre a participação de Badauí na faixa DIAS DIFÍCEIS, que se destacou por sua voracidade entre o clássico hardcore, presente em músicas do CPM 22, e o metal moderno caótico da Bad Luv. Inicialmente, a faixa foi pensada sem feat., bem como todo o restante do álbum, mas, ao ouvir a gravação da faixa, a banda só conseguia imaginar o vocalista cantando com eles os versos brutais da faixa. “Se a gente toca e sonha hoje em dia, é porque o CPM foi lá e abriu esse caminho, tá ligado? Claro que tiveram várias bandas ali, mas o CPM em especial para a galera que é oriunda ali do Hangar, do emo, do hardcore melódico, é super importante, né?”, contou o baixista. 

Caio e Johnny também comentaram sobre a estética do álbum, que, nos videoclipes, se faz sombria, com iluminação agitada e ambientes ríspidos, como em O MEDO NÃO ME PAROU, e em FURACÃO, que traz uma noite a prova de fogo e o caos em uma cidade agitada. “A parte estética é tão importante quanto a parte musical, porque ela acaba sendo uma extensão daquele produto artístico”, refletiu Caio Weber ao lembrar da gravação da faixa-título: “O clipe de O MEDO NÃO ME PAROU foi basicamente porque a gente tinha um show em Curitiba em fevereiro, e eu dei a ideia de fazer na minha casa antiga”.

Complementando o raciocínio, o Bonafé destacou a sorte de ter uma rede de profissionais e amigos ao redor da banda: “Na real, se a Bad Luv fosse uma agência, a gente tava muito bem servido. Tem tudo ao nosso redor, um monte de amigo que é diretor, designer… a gente tá bem amparado e já trabalhou com isso, o que dá conhecimento para botar em prática essa extensão da parte musical. É o pacote completo mesmo: a embalagem e o recheio. A parte estética tem que acompanhar, ainda mais nos dias de hoje, com a internet, tudo tem que tá conversando direitinho”.

Com uma sonoridade afiada, letras honestas e uma identidade visual fluida e bem alinhada com o que o álbum quer dizer, O MEDO NÃO ME PAROU  já está disponível em todas as plataformas digitais. Celebrando essa nova fase, a Bad Luv estará com pé na estrada no mês de novembro com uma turnê pelo país.  A banda passará por Belo Horizonte, Maringá, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Para mais detalhes, acompanhe as redes sociais oficiais do grupo.

“Talvez a Bad Luv não seja uma banda que se contente em fazer as coisas dentro de uma caixa. A gente está sempre tentando sair o máximo disso. Parece que quanto mais maluca a ideia, mais a gente fica empolgado.”, afirmou Caio.

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