10 anos de That´s the Spirit: como Bring Me the Horizon reinventou o Metalcore

10 anos de That´s the Spirit: como Bring Me the Horizon reinventou o Metalcore
10 anos de That´s the Spirit: como Bring Me the Horizon reinventou o Metalcore

“A sombra descreve a parte da psique que um indivíduo prefere não reconhecer […] Ninguém se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim tornando a escuridão consciente”, é assim que Oliver Sykes descreve a essência do quinto álbum de estúdio do Bring Me The Horizon: That´s The Spirit. Com dez anos de história completos em 11 de setembro, o disco simboliza uma virada de chave tanto na trajetória da banda quanto na evolução do metalcore.

Antes de falar sobre a influência do disco no gênero musical, é crucial compreender a identidade de That’s the Spirit, cuja natureza parte da luta por dias de sol em meio à neblina da mente. Produzido por Jordan Fish e Oliver Sykes, o álbum se distancia dos trabalhos anteriores da banda ao celebrar a escuridão. Sykes ainda enfatiza:

“Tudo pode parecer sombrio e negro por fora, mas dentro de nós existe um mundo de cores e emoções que precisamos deixar tomar conta e não ignorar”.

Na capa, um elemento simples, porém cheio de significado: um guarda-chuva aberto. À primeira vista, pode parecer trivial, mas carrega a mensagem de que, não importa a intensidade da chuva, sempre é possível achar um abrigo. É um convite silencioso de That’s the Spirit: reconhecer a escuridão sem se deixar dominar por ela.

As faixas exploram sentimentos pesados e momentos de perda de maneira consideravelmente leve e irônica, equilibrando a obscuridade do metal com lampejos de esperança. Essa proposta ressoou junto ao público, levando That’s the Spirit a figurar entre os álbuns mais vendidos no UK Albums Chart e a entrar no Top 200 da Billboard nos Estados Unidos.

O discurso de acolher a solidão se reforça ainda mais em faixas como Happy Song, em que o vocalista canta: “Há uma voz na minha cabeça / Ela diz que era melhor se eu estivesse morto / Mas se eu cantar junto um pouco mais alto / Uma canção feliz, eu ficarei bem”. Em Doomed, a luta contra os vícios é exposta com intensidade: “Então venha chover no meu desfile / Porque eu quero sentir isso”. Throne oferece uma sensação de força e esperança mesmo em tempos sombrios, lembrando que os traumas podem se transformar em poder: “Então você pode me jogar aos lobos / Amanhã irei voltar líder de toda a matilha / Bata-me preto e azul / Cada ferida irá me moldar / Cada cicatriz irá construir meu trono”.

Essa transição de músicas sombrias para faixas mais encorajadoras não marcou apenas o lançamento de um álbum, mas também um capítulo importante na história do Bring Me the Horizon e do metalcore como um todo. Para a banda, That’s the Spirit representou a passagem das raízes mais agressivas, típicas de seus trabalhos anteriores, para um som mais alternativo, com elementos de pop, hard rock e nu metal, tornando a sonoridade mais acessível sem perder a identidade própria. Entre os fãs, o disco é considerado o ponto de divisão entre o “old BMTH” e o “new BMTH”. Mesmo com essa mudança, a obra demonstra que é possível renovar o som e incorporar novos elementos sem comprometer a essência, um caminho que a banda continuou explorando em seus álbuns seguintes.

Com That’s the Spirit, não foi apenas o som do Bring Me the Horizon que se transformou; a banda influenciou toda uma vertente, tornando-se pioneira ao expandir os limites do metalcore com ousadia e coragem, sem receio das críticas externas. Para o gênero, o álbum provou que peso e agressividade não precisam ser abandonados para conquistar novos públicos, abrindo caminho para uma qualidade sonora mais diversa e inclusiva.

Em suma, o Bring Me the Horizon ajudou a evoluir o metalcore, diversificando sua sonoridade sem abdicar da intensidade que define o gênero. That’s the Spirit consolidou ainda mais a posição da banda no cenário musical e atraiu novos fãs, os chamados outsiders, que passaram a encontrar familiaridade no estilo, explorando novos sons e tornando-o mais flexível e acessível, alcançando públicos além da cena tradicional.