Black Pantera grava seu primeiro show ao vivo em noite histórica no Circo Voador

A última quarta-feira (19) ficou marcada na memória de todos que puderam testemunhar uma das grandes performances do Black Pantera no palco que ajudou a revolucionar a carreira da banda. Em 2019, a banda se apresentou no Circo Voador pela primeira vez, abrindo o show do Dead Fish. Desde então, foram conquistando prêmios, ganhando público e estruturando uma legião de fãs por todo o país.

Foto: Lucas Pires

Mas antes da apresentação principal, como um excelente prefácio de um ótimo livro, temos o show da banda Punho de Mahin, uma das potências do afro punk brasileiro diretamente do ABC paulista. Não à toa que a porta do Circo Voador já se encontrava esvaziada logo cedo, pois o público chegou em peso para prestigiar a apresentação de abertura. E foi recompensado. Um show frenético, potente, com um som acelerado e carregado por mensagens de revolta e resistência com letras que abordam questões como repressão às minorias, racismo, machismo, intolerância e violência policial.

Sendo completamente ovacionados, o Black Pantera sobe no palco. Charles Gama, Chaene Gama e Rodrigo Pancho demonstram estar vivendo sua melhor fase e chegam de voadora com seu single de maior audiência, Padrão É o Caralho, lançado com o disco Ascensão (2022). Imediatamente um grande mosh se abre no centro do Circo Voador e a euforia da platéia começa a tomar forma, transformando todo o coletivo presente em um único organismo movido pelo mais puro caos.

E o repertório é avassalador. Mosha e Boom chegam logo na sequência para incendiar ainda mais. E falando em incendiar, o refrão de Candeia que diz Vela que incendeia casa grande é gritado pelo público a plenos pulmões. De arrepiar.

E mantendo a emoção, PERPÉTUO, música que traz um discurso sobre a luta do povo preto através da ancestralidade, faz a galera erguer os punhos e gritar que “Todo mundo já foi preto um dia”.

E não poderia faltar. “Fogo nos Racistas”, trazendo uma mensagem simples e direta, nesse momento, a banda pede para que todos se abaixem e conforme o instrumental vai aumentando, a galera vai pulando até tudo explodir de vez em um mosh completamente insano.

São 11 anos de trajetória do trio mineiro e essa gravação do ao vivo chega realmente em um ótimo momento. Passado alguns lançamentos que foram, ano após ano, construindo uma estética sonora e agregando maturidade à banda, o Black Pantera desfruta hoje do seu trabalho duro ao longo desses anos, que é exatamente a possibilidade de caminhar seu setlist por diferentes fases da banda e ter ao lado um público que esteve junto durante essa trajetória. Músicas do primeiro disco Project Black Pantera (2015) como Ratatatá são recebidas pela plateia com a mesma energia que seus sons do último disco. Isso é um reconhecimento da virtuosidade de quem desenvolveu um trabalho realmente autêntico.