Formado em 2010 na cidade de Baltimore por Brandon Yates (vocal), Brady Ebert (guitarra), Franz Lyons (baixo), Daniel Fang (bateria) e Sean Cullen (guitarra), o Turnstile surge em meio a uma cena agitada de hardcore na cidade. Rapidamente, se destacou com suas apresentações completamente descontroladas e enérgicas que já traziam sons autorais, além de alguns covers como Sailin’ On do Bad Brains.
Seus primeiros EPs, Pressure to Succeed (2011) e Step to Rhythm (2013), já mostravam um hardcore com inquietação, bem na essência, mas era notável que ali já se construía a identidade de uma banda com destaque para as marcantes quebras de ritmo. Havia também influências de hip-hop à la Beastie Boys, e até melodias melancólicas com forte inspiração do shoegaze, um terreno pouco comum para o gênero na época.
O Turnstile cresceu dentro da cena do hardcore, influenciando e sendo influenciado pelas bandas que o rodeavam. Inclusive, essa relação com outras bandas é tão estreita que o vocalista Brandon Yates também toca bateria no Trapped Under Ice, uma das grandes precursoras desse novo cenário em Baltimore. Além disso, fora a música, os integrantes possuem um vínculo muito forte com a sua comunidade, envolvendo subgrupos urbanos, neste caso, os skatistas.
Este vídeo de 2019 produzido pela revista The Fader mostra um dia na vida da banda. O rolé de skate é um dos pontos principais, além da relação que eles estabelecem com a cidade.
Com todas essas vivências e referências que permeiam a banda durante o seu desenvolvimento, é fácil imaginar o motivo de tanta inventividade nas suas músicas.
Nonstop Feeling (2015), foi a consolidação de uma base sonora que viria a se manter e apenas ir se moldando e reinventando ao longo dos novos lançamentos. Mas foi com Time & Space (2018), seu primeiro por uma grande gravadora (Roadrunner), que as experimentações da banda ganharam mais destaque, trazendo uma definição de hardcore como um som enérgico e autêntico, e criando com ele um senso de comunidade, sem se limitar a um tipo de som específico.
Até que chegamos no Glow On (2021), uma verdadeira virada de chave. Gravado com Mike Elizondo, produtor que trabalhou com artistas como Fiona Apple e Mastodon, o álbum foi uma grande revelação no ano de seu lançamento, atingindo novos públicos fora do nicho e os trazendo para dentro do hardcore. Era uma fusão radiante de batidas clássicas de hardcore com melodias dream-pop, soul e até toques de funk music. Faixas como Mystery e Alien Love Call (com Blood Orange) incorporam diferentes atmosferas e, ao mesmo tempo, despertam uma familiaridade, ainda que você sinta que está ouvindo algo completamente novo.
Logo após o sucesso estrondoso em 2022, o guitarrista fundador Brady Ebert deixou o Turnstile. Foi uma mudança significativa, mas a banda seguiu em frente, incorporando posteriormente a guitarrista Meg Mills como membro oficial, sua primeira integrante mulher. E ela chegou com tudo para o lançamento seguinte que viria a colocar o Turnstile mais uma vez no topo.
Antes disso, houve um retorno histórico a Baltimore, em 2025, para realizar um show gratuito no parque que arrecadou fundos para a Health Care for the Homeless, uma instituição que cuida da saúde de pessoas em situação de rua. Foi um ato de reafirmação de suas raízes.
Pouco depois, lançaram Never Enough (2025), um álbum que alcançou o top 10 nos EUA e recebeu cinco indicações ao Grammy, consolidando seu status mainstream.
Dentre todas as eras atravessadas pela banda, o Turnstile jamais deixou sua autenticidade de lado, trazendo uma visão inclusiva, afetuosa, consciente e progressista para dentro do hardcore.
O Turnstile segue em turnê para divulgar seu novo trabalho e tem vinda marcada para o Lollapalooza Brasil 2026.
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