O terceiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 reforçou aquilo que o festival faz de melhor: juntar universos diferentes no mesmo espaço, e fazer tudo funcionar. No domingo, 21 de março, o Autódromo de Interlagos voltou a ser tomado por uma multidão que transitava entre palcos e estilos, em um line-up onde indie pop, rock alternativo, hardcore e hip hop coexistiram sem esforço. Entre apostas recentes e nomes já consolidados, o dia mostrou como o Lolla segue sendo um ponto de encontro entre diferentes gerações.
BALU BRIGADA
Sob muito calor, Balu Brigada fez uma das apresentações dignas de um duo que será muito eternizado na história do festival e no coração dos fãs. Revelados durante a tour do Twenty One Pilots no Brasil, o duo traz em sua performance uma nova abordagem para o indie rock que desfruta de muitos sintetizadores e o swing das guitarras.


Em um início potente com Golden Gate Girls, Balu Brigada soube alimentar a vontade do público em curtir o bom e bem feito indie rock. E não deixando o entusiasmo ir embora, eles seguem com Sideways que tem sido uma das favoritas no novo trabalho do duo.
Dotados de grandes sucessos, não pouparam de performar Designer e 2good advindos do EP “Find A Way” que colocou Balu Brigada no radar dos grandes festivais. E claro, o público não desperdiçou energia com Backseat que fez todos se tornarem uma onda só. O duo encerra a apresentação com o seu maior hit So Cold que demonstra a maturidade ao longo do tempo e sua maior expertise de composição.
FROM THE BACKSEAAAAAT⚡️
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) March 22, 2026
O hino que extremece o palco Flying Fish.
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Balu Brigada é admirável, potente e emocional em toda a sua performance que soube equilibrar a setlist para entregar os maiores sucessos e com as suas melhores composições, não só do novo álbum como de trabalhos passados.
ROYEL OTIS
Entre as estreias mais comentadas, o Royel Otis conquistou o público com um show leve e direto. Com um set de 17 músicas, a dupla australiana abriu com I Hate This Tune, seguida por Adored e Heading for the Door, estabelecendo de cara sua identidade melódica. Ao longo da apresentação, faixas como Kool Aid, Moody e Car mantiveram o clima, enquanto o cover de Linger, do The Cranberries, virou um dos grandes coros da tarde. O encerramento com Oysters in My Pocket consolidou o momento de ascensão da banda.
ESS DAQUI EMOCIONA! 🖤⁰⁰“Linger” vira momento de karaokê no Lolla, ninguém quer cantar baixo aqui.#LollapaloozaBrasil
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DJO
Outro ponto alto veio com Djo, projeto musical de Joe Keery, que atraiu uma multidão diversa e entregou um show dinâmico, alternando entre guitarras, sintetizadores e piano. A abertura com Flash Mountain guiou o público por uma apresentação que passou por Uglyfisherman,Delete Ya, Roddy, Gap Tooth Smile eChateau (Feel Alright). O momento mais esperado veio com “End of Beginning”, cantada em coro por praticamente todo o público. Ao final, Keery ainda reforçou a conexão com a plateia antes de encerrar com Back on You.


TURNSTILE
Quando a noite começou a cair e o calor finalmente deu uma trégua, parecia que o festival ia desacelerar. Mas bastou o Turnstile subir ao palco do Cenco Malls pra mudar tudo. Foi imediato: os primeiros acordes já fizeram o público esquecer o cansaço e entrar de vez no clima.
O set veio direto, sem respiro. A base do repertório passou pelos trabalhos mais recentes, justamente os discos que ampliaram o alcance da banda, mas ainda houve espaço pra um aceno aos fãs mais antigos com Drop, lembrando a fase de Nonstop Feeling no meio de toda a intensidade.


Na plateia, o cenário era curioso. De um lado, quem estava ali exclusivamente pelo Turnstile, pronto pra roda abrir a qualquer momento. Do outro, quem já segurava posição há horas esperando o show do Tyler, The Creator. No fim, as duas “tribos” se misturaram. A energia do show foi suficiente pra quebrar qualquer divisão, e todo mundo acabou pulando junto.
TROCA REAL. 🤝
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) March 22, 2026
⁰“I Care” é aquele momento em que a banda joga e o público devolve na mesma intensidade
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Sinalizadores, mosh e um nível de intensidade que passou do limite. Em determinado momento, a banda precisou interromper rapidamente a apresentação pra pedir mais espaço por segurança. Durou pouco. A energia retomou no mesmo nível, como costuma acontecer quando o show já saiu do controle.

Mesmo com um set mais enxuto, o impacto foi gigante. Quando BIRDS encerrou a apresentação, a sensação era de exaustão coletiva, muita gente correndo direto pra água e tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Fica a expectativa pra próxima volta: shows assim são exatamente o tipo de experiência que faz um festival valer a pena.
LORDE
A apresentação de Lorde foi um daqueles momentos em que o festival desacelera, não por falta de energia, mas porque todo mundo para pra sentir. Diante de uma multidão no Autódromo de Interlagos, a neozelandesa entregou um show que equilibra emoção, proximidade e um repertório que atravessa diferentes fases da sua carreira, com destaque para músicas como Royals, Buzzcut Season, Perfect Places e Team.
O ponto mais íntimo veio com Liability, com um silêncio raro em festival, enquanto a reta final trouxe a energia de volta com a aproximação do público e o ápice em Green Light. Com um set que também passou por Ribs e outras faixas marcantes, Lorde entregou uma das apresentações mais emocionais e completas do Lollapalooza Brasil 2026.
TYLER THE CREATOR
Após 15 anos longe do Brasil, Tyler, the Creator voltou ao país para encerrar o Lollapalooza 2026 com um show aguardado e cheio de energia. A apresentação começou de forma intensa, com pirotecnia, grande interação com o público e uma sequência de músicas que destacou sua presença de palco e versatilidade.
Alternando entre momentos explosivos e mais emocionais, Tyler levou os fãs ao delírio com hits como EARFQUAKE e New Magic Wand. Com um set que percorreu diferentes fases da carreira, ele entregou uma performance carismática e marcante, consolidando sua conexão com o público brasileiro após anos de espera.
Chromakopiaaaa 🟢🟢
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) March 23, 2026
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Assim, o terceiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 deixou claro o que sustenta o festival até hoje: a capacidade de equilibrar descoberta e consagração, viral e ao vivo, energia e emoção. Mais do que um line-up diverso, o domingo mostrou um público disposto a atravessar estilos, viver experiências diferentes e se reconhecer em cada palco, um retrato fiel de um festival que continua evoluindo junto com quem está ali.


