Fresno – Carta de Adeus

banda Fresno em ensaio fotográfico com ternos pretos e fundo neutro
Fresno em nova fase do álbum Carta de Adeus. Foto: Camila Cornelsen
8.3

Eles nunca foram embora e não cansam de se reinventar. A banda, que começou na transição entre os anos 1990 e 2000 com um rock cru inspirado em bandas de hardcore melódico e emocore, hoje explora diferentes instrumentos e sonoridades do gênero. E com seu novo álbum, Carta de Adeus, a Fresno mergulha na personalidade dos anos 1980, deixando as baladas mais tristes em segundo plano para mergulhar em canções dançantes.

Carta de Adeus, o 11º álbum da Fresno, entrega sua fase mais madura até então, mas não estamos falando sobre o processo natural que chega com os anos. A produção se destaca com mais intensidade, as referências falam por si só e os elementos do emo, que construíram sua essência, ainda estão ali. Inclusive, talvez seja o trabalho que mais mostra a evolução dos vocais de Lucas Silveira.

O vocalista não só esbanja sua voz melódica característica, explorando notas e sustentando um fôlego invejável, como consegue nos fazer sentir a mensagem de cada faixa por meio dela. Nas canções finais, Se Foi Tão Fácil e O Cantor e o Taxista, os vocais mais falados se complementam aos cantados e completam todo o storytelling das canções. Na faixa que abre o álbum, Eu Não Vou Deixar Você Sofrer, e na terceira música, Tentar de Novo e de Novo, temos uma mistura de tudo isso junto a um vocal mais potente, aquele que entrega tudo de si.

Sóbria, a faixa 4, talvez seja uma das mais curiosas do álbum. Ela começa com uma atmosfera misteriosa, tal qual as bandas emo mais “raiz” dos anos 1990, segue com batidas levemente dançantes e, antes de terminar como começou, inicia sua finalização cheia de energia, como uma boa banda de pós-punk dos anos 2000. Pessoa marca o primeiro cover da Fresno nas trajetória dos albuns da banda. A música da cantora Marina Lima ganhou uma nova roupagem e combina tanto com a banda que é até possível acreditar se tratar de uma canção original.

A faixa-título, Carta de Adeus (BYE BYE TCHAU), fala sobre despedidas e reconhecer seus erros com um refrão que gruda na cabeça, também funcionando perfeitamente para a abertura do show. Falando em início, a primeira música do disco também chega com uma boa introdução, e quem escuta só ela pode até achar que a novidade se assemelha a Eu Nunca Fui Embora, mas basta continuar para descobrir que são trabalhos completamente diferentes.

Em Tudo o Que Você Quer, faixa 7 de Carta de Adeus, os elementos dos anos 1980 se fazem muito presente. Se “desmodernizar” a produção da música, inclusive, é até possível acreditar que é um trabalho de alguma banda nacional alternativa daquela época. Logo Agora que o Meu Mundo Girou é uma das faixas que mais define a identidade do álbum, como se gritasse que “a Fresno de 2026 agora é essa”.

A mágica de ter liberdade criativa de seus próprios trabalhos é o que proporciona essas experiências diferentes a cada álbum, o que fica ainda mais poderoso quando há muito conhecimento e técnica. Para quem conhece bem a banda, fica bem claro que a produção é toda de Lucas. Ele é a Fresno e a Fresno é ele. Eu Não Sei Dizer Não fecha o álbum entregando um storytelling muito bem amarrado sobre amor, dor e superação.

Esperamos que Carta de Adeus não seja no sentido literal. Mas, se fosse, seria uma despedida impecável.

banda Fresno em ensaio fotográfico com ternos pretos e fundo neutro
Fresno – Carta de Adeus
8.3