Rosalía sempre foi uma artista conceitual. Desde seu primeiro álbum, desenvolvido como projeto de conclusão de curso na faculdade de música, fica claro que a cantora e compositora pensa sua arte a partir de conceitos bem definidos. Com influências que passam principalmente por seu país de origem, a Espanha, suas canções e estéticas são construídas sobre diferentes referências e fundamentos.
Agora, em uma fase marcada por referências à Igreja Católica, a turnê do álbum LUX chegou ao Brasil trazendo algo bastante diferente do que já vimos Rosalía fazer. Em um show teatral, a artista apresentou algumas de suas músicas mais potentes, tanto vocalmente quanto em termos de produção, mostrando que é possível ocupar o mainstream sem abandonar conceito e personalidade para agradar às massas.
Com um leve atraso, Rosalía entrou no palco da Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, cercada por uma cenografia branca, bege e em outros tons neutros, composta por tecidos, estruturas e figurinos característicos da identidade visual de LUX. Logo na primeira sequência, a artista mostrou toda a sua potência vocal.


Sexo, Violencia y Llantas, Reliquia, Porcelana, Divinize e Mio Cristo Piange Diamanti formaram o início da apresentação. Esta última, inclusive, emocionou quem estava na arena não apenas pela voz de Rosalía, que se aproxima do canto lírico, mas também pela intensidade da performance, encerrada com a artista em lágrimas.
Na abertura do Acto II, segundo bloco do show, o primeiro single de LUX foi apresentado em sua versão original e, depois, em um remix que transformou a “igreja” construída no palco em uma grande pista de dança. Na sequência, Motomami marcou presença com SAOKO, LA FAMA e LA COMBI VERSACE.
Também tem Motomami na setlist! A sequência começa com SAOKO! 🏍️❤️🔥
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) August 11, 2026
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Depois de apresentar El Redentor, a música mais antiga da setlist, presente no álbum Los Ángeles, de 2017, Rosalía homenageou os fãs com um cover de Can’t Take My Eyes Off You. Logo depois, apresentou uma das faixas de LUX mais celebradas pelo público: La Perla.
A cada show, Rosalía convida um artista local para participar de uma espécie de confessionário, espaço em que o convidado conta uma história ou, de fato, faz uma confissão. No Rio de Janeiro, a escolhida foi Marina Sena, que foi muito bem recebida pelo público.
À medida que o show se aproximava do fim, a apresentação ganhava ainda mais energia. Enquanto Rosalía e seus bailarinos ocupavam o palco, uma estrutura em formato de cruz abrigava uma orquestra, elemento que tornava toda a experiência ainda mais imersiva e impactante. Durante a performance de CUUUUuuuuuute, um incensário católico gigante “defumava” a plateia, preparando o público para os atos finais.
Encerrando o último ato com BIZCOCHITO, DESPECHÁ, Focu ‘ranni e Magnolias, Rosalía entregou um show hipnotizante que reforça uma característica presente em sua trajetória: a capacidade de transformar referências, conceitos e experimentações em música pop de grande alcance.
Show chegando ao fim com toda a animação de Despechá! pic.twitter.com/nBC4ETSkXQ
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Em sua estreia da turnê de LUX no Brasil, a espanhola mostrou que criatividade e sucesso comercial não precisam caminhar em direções opostas. Mesmo diante de uma produção de grandes proporções, Rosalía continua colocando sua identidade no centro de tudo.


