Fim da espera: LANDMVRKS estreia no Brasil com show enérgico e brutal em São Paulo

Vocalista do LANDMVRKS durante show de estreia da banda no Brasil, no Carioca Club, em São Paulo
LANDMVRKS faz sua primeira apresentação no Brasil no Carioca Club, em São Paulo. Foto: Caio Bandeira (Moodgate).

O LANDMVRKS sempre provou ter uma fonte de calor natural nos estúdios, e isso ganha ainda mais potência nos palcos. Em sua passagem na América Latina pela primeira vez, com show único em São Paulo, eles revitalizaram esse sentimento junto a do público brasileiro, que ansiava por essa vinda antes mesmo do lançamento do último álbum, o The Darkest Place I’ve Ever Been (2025).

Muitas bandas de metalcore pisaram no Carioca Club e transformaram o espaço em puro caos por algumas horas, e com o LANDMVRKS não foi diferente. Logo de início, ficou claro que a energia impetuosa fluiria dos dois lados. Afinal, sendo aquela a primeira e única dose em solo brasileiro, ninguém podia se dar ao luxo de hesitar.

A noite perdurou entre os três últimos álbuns da banda, o Fantasy (2018), o Lost in the Waves (2021) e o mais recente, o The Darkest Place I’ve Ever Been (2025). Em meio a isso, todas as músicas  tornaram o ambiente caótico: com moshs e crowd surfings a todo o momento, sem tempo para descanso.

A abertura com Creature, do novo álbum, trouxe o hip-hop francês e um gutural cadenciados com sintetizadores, riffs e batidas agitadas até chegar no refrão melódico que tirou coros sem esforços, já movimentando a plateia de maneira brusca.

Sulfur, também do último álbum, dividiu a plateia no meio, deixando os dois lados dela nos cantos do Carioca Club para dar espaço à uma grande roda. O que já estava pegando fogo, se incendiou ainda mais com um mar de gente em um mosh que ia do palco até o final da plateia.

La Valse Du Temps, também do novo álbum, ao vivo foi quase uma experiência transcendental, fazendo jus ao seu nome e ao seu significado, que retrata a existência como um movimento contínuo. A faixa possui um contraste entre a suavidade vocal do francês e o instrumental acirrado que mostra o metalcore em sua forma mais melódica. Com a iluminação em cima de Florent, o tempo parou por alguns minutos, com a pista tendo total atenção à energia que preencheu o ambiente. 

A tensão e o contraste do hit Lost in a Wave são inconfundíveis. A faixa transmite uma angústia constritiva com riffs estridentes e, ao vivo, a sensação se mostrou ainda mais explosiva, com breakdowns agressivos e a voz versátil de Florent ditando a regra. Esse momento elevou a plateia, com moshs, coros (I’M LOST IN A WAVE) e movimentos incansáveis até o último minuto da música. 

Chegando no fim, The Darkest Place I’ve Ever Been, faixa título do novo álbum, trouxe peso e agitação em meio a versos melódicos, recarregando a energia do público em meio a coros e pulos agitados. Em seguida, Self-Made Black Hole coroou o setlist de peso que o LANDMVRKS trouxe para a América Latina, com Florent descendo e cantando de cara para o público.

O “apagar das luzes” veio acompanhado de muita gratidão: Florent, Nicolas, Paul, Rudy e Kévin celebraram a conexão com os fãs brasileiros agradecendo pela espera de anos e reforçando o quanto estavam felizes em estar ali. Além disso, eles fizeram elogios à banda de abertura AXTY e distribuíram palhetas, baquetas e setlists para a plateia em meio à euforia.

O portal LANDMVRKS Brasil mostrou a reciprocidade desse carinho com um projeto: uma bandeira personalizada e assinada pelo fandom, que foi entregue durante a apresentação, integrando diretamente o cenário do show. 

Por isso e, também, por toda a energia do início ao fim do show, não há dúvidas de que a espera valeu cada segundo. Assim, o LANDMVRKS estreou no Brasil com uma energia além dos limites, testando o público que, sem precedentes, respondeu de forma mútua, extravasando com movimentos obstinados e cantando em coros que ecoaram pelo Carioca Club.