Infinito Latente explora inquietações e brasilidade no álbum de estreia Sem Início Nem Fim

Integrantes da banda Infinito Latente segurando arte visual do álbum Sem Início Nem Fim
Banda Infinito Latente apresenta o álbum de estreia Sem Início Nem Fim — Foto: Igor Sganzerla / Retalho Music

Entre contemplação da natureza, reflexões sobre o tempo e uma ótima mistura de referências musicais, a banda Infinito Latente faz sua estreia apresentando o álbum Sem Início Nem Fim, lançado no início de 2026. Formado por músicos ligados ao Vale do Paraíba, o grupo aposta em uma sonoridade que atravessa gêneros como MPB, indie e pop, mas sem se prender a rótulos.

A Moodgate teve a oportunidade de entrevistar a banda, e nessa conversa descobrimos que toda essa diversidade sonora não nasceu de uma grande estratégia, mas sim de forma natural respeitando as referências que cada um carrega. “A gente ainda fica perdido nessa questão do gênero porque são muitas coisas que nos influenciam”, diz João Dussam, idealizador da Infinito Latente ao lado de Maira Bastos.

A dupla conta que muitas pessoas definem seu som como rock, enquanto outras como MPB e outras como indie, mas que essa mistura de linguagens é o resultado do processo criativo da banda. Graças à bagagem de cada integrante, suas músicas conseguem misturar o clássico de voz e violão com texturas mais contemporânea por meio dos elementos mais eletrônicos.

Infinito Latente por Igor Sganzerla e Retalho Music

Infinito latente: influências que navegam pela música brasileira

Perguntamos à banda quais são suas maiores influências na hora de fazer a música, e a resposta representa bastante as últimas gerações da música brasileira. Entre eles estão Ludji Luna, Tuyo, Sofia Chablau, Luisa Lian e Céu, artistas que também exploram diferentes caminhos dentro da música nacional, se dedicando à experimentação.

É claro que a música é uma arte muito abrangente, então perguntamos sobre as referências que vão além dela. Dussam comentou que todo o imaginário visual e conceitual da banda também nasceu da cultura brasileira, como o Tropicalismo e o movimento Cinema Novo, principalmente de Glauber Rocha.

O Vale do Paraíba como ponto de partida

Ainda que o projeto Infinito Latente tenha ganhado mais força em São Paulo, as raízes da banda estão no interior. A região do Vale do Paraíba teve papel crucial na formação da identidade do grupo.

Um dos elementos mais importantes citados pela banda é o tradicional Carnaval de São Luiz do Paraitinga, bastante conhecido pelas marchinhas e forte cultura musical local, principalmente de composição. E foi exatamente essa vivência que estimulou o gosto por escrever as próprias músicas.

Os integrantes da Infinito Latente também circularam pelos festivais regionais de música e marchinhas, citando bandas locais como principais referências para suas bagagens artísticas, como Banda Paranga e Los Cunhados.

A banda explica que a região é muito cancioneira e que, lá, as pessoas brincam com a música, criam canções para festas e para contar histórias. Logo, essa relação direta com a composição acabou influenciando muito a forma de cada integrante fazer música.

A essência da Infinito Latente

Falando sobre a essência da banda, a Infinito Latente define o álbum Sem Início Nem Fim como o resultado da “constância de pensamentos de uma mente inquieta”. Mas o que seriam, então, essas inquietações? Maira diz que, inicialmente, se trata das inquietações do artista.

“Eu e o João tínhamos o desejo de criar um projeto que pudesse nos levar mais longe”, conta a vocalista. “E também as inquietações de vida. Falamos sobre natureza, de uma forma contemplativa e estamos sempre olhando ao redor e pensando no infinito, no universo. Eu acho que todo mundo tem essas inquietações dentro de si e a gente só colocou para fora”, completa.

Igor Sganzerla conta ainda que o álbum é “a junção de vários retalhos de sentimentos e sensações que temos em nosso cotidiano”. O artista fala também sobre a vontade de compartilhar esses sentimentos com as outras pessoas. “Elas acabam se conectando ao nosso som a partir das histórias contadas ali ou dos sentimentos evocados, ter tanto esse olhar para fora quanto para dentro também”, diz o músico.

Infinito Latente por Igor Sganzerla e Retalho Music

Em relação à origem do nome da banda, Maira conta que surgiu de uma canção escrita por ela, que menciona a ideia de algo eterno, sem começo ou fim. Para o grupo, a expressão resume muito bem o universo artístico que desejam explorar: de reflexão, poesia, experimentação sonora e curiosidade constante.