Carol Biazin prepara estreia exclusiva no Rock in Rio: “vai ser um show que a gente nunca tocou na vida”

carol biazin
Foto: Divulgação

Poucos artistas têm a oportunidade de estrear no Rock in Rio abrindo o Palco Sunset com um espetáculo inédito. Para Carol Biazin, esse momento chega acompanhado de um desafio ainda maior: transformar uma das apresentações mais importantes de sua carreira em uma experiência exclusiva, construída especialmente para o festival.

No dia 13 de setembro, a cantora sobe ao palco acompanhada de Joyce Alane, convidada especial do show. Em entrevista à Moodgate, Carol contou como a passagem pelo Rock in Rio Lisboa serviu como laboratório para o espetáculo brasileiro, falou sobre a construção da parceria com Joyce e refletiu sobre o papel que ocupa hoje para uma geração de fãs que se reconhece em suas músicas.

Rock in Rio Lisboa virou laboratório para o Brasil

Antes de desembarcar na Cidade do Rock, Carol teve a oportunidade de testar novas ideias durante sua apresentação no Rock in Rio Lisboa. Segundo ela, a experiência mudou completamente sua visão sobre o repertório e trouxe confiança para o grande dia.

“O Rock in Rio Lisboa já foi um start muito foda para o Rock in Rio Brasil. Foi um momento em que eu pude testar um formato diferente de setlist e isso me trouxe muitos insights. O show do Rock in Rio vai ser um show que a gente nunca tocou na vida. Vai ser exclusivo para lá.”

A recepção do público português também surpreendeu a cantora. Mesmo dividindo a atenção com outros palcos do festival, ela encontrou uma plateia lotada e formada por muitos fãs.

“Festival sempre tem essa dúvida de quantas pessoas vão estar lá para te ver. Quando entrei no palco e vi tanta gente, com cartazes, usando merch, gravata, boné… foi muito bonito. Isso me deu ainda mais confiança para chegar ao Rock in Rio Brasil.”

Um repertório pensado para conquistar o público desde o primeiro minuto

Uma das principais mudanças surgiu justamente na ordem das músicas. Carol percebeu que não fazia sentido guardar os maiores sucessos para o fim da apresentação.

“No Rock in Rio Lisboa eu perdi o medo de começar com as músicas grandes. Muitas vezes a gente monta um show pensando em quem ainda não conhece o projeto, mas eu entendi que, quando você conquista o público logo de cara, ele fica muito mais aberto para ouvir as outras músicas também.”

Além disso, algumas canções ganharam novos arranjos.

“Amor Calmo” passou por uma reformulação completa e continuará presente nessa nova fase dos shows.

“A gente deixou a música mais pesada. A Lelê e o Jorge rearranjaram tudo e ela ficou com outra cara. Isso vai estar no Rock in Rio, junto com novos interlúdios e outros momentos criados especialmente para esse show.”

Joyce Alane foi uma escolha natural

Embora o festival tenha sugerido alguns nomes para a participação especial, Carol queria dividir esse momento com alguém que já fizesse parte de sua trajetória.

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A escolha acabou sendo Joyce Alane, artista pernambucana com quem mantém amizade e já trabalhou em outras ocasiões.

“Eu queria alguém com quem eu tivesse intimidade. O palco é um lugar muito íntimo. A Joyce é uma artista absurda, tem uma voz incrível e eu queria que as pessoas que fossem me ver conhecessem ela também.”

Como ainda era necessário aguardar a aprovação do festival, Carol preferiu não contar imediatamente.

Quando tudo foi confirmado, a reação veio rapidamente.

“Ela me mandou mensagem perguntando: ‘Velho, eu vou estar no Rock in Rio mesmo?’. Eu respondi: ‘Deu certo. Você vai fazer com a gente’. A partir daí já começamos a trocar ideias sobre o repertório.”

Diversidade como essência da música brasileira

Para Carol, a presença de Joyce Alane vai além da participação especial. Ela acredita que o encontro representa diferentes caminhos dentro da música brasileira.

Enquanto Joyce leva referências do Recife para o palco, Carol apresenta influências completamente diferentes. No entanto, as duas compartilham uma mesma forma de escrever sobre sentimentos.

“A gente é muito diferente, mas fala praticamente o mesmo idioma quando fala de amor. Somos artistas que se cobram muito e, agora, queremos viver esse show de um jeito mais leve, se divertir mesmo.”

Ela também revelou que o espetáculo contará com uma formação ampliada.

“Vamos estar com praticamente 13 músicos no palco. Teremos sopros, metais e elementos que trazem esse molho de Recife para dentro da minha banda.”

Segundo a cantora, essa mistura resume bem o que é a música brasileira.

“Quando a gente fala de música brasileira, não tem como pensar em outra coisa senão diversidade.”

Escrever continua sendo um processo pessoal

Mesmo sabendo que suas músicas alcançam milhares de pessoas, Carol afirma que a composição continua partindo de experiências íntimas.

“Ainda escrevo muito por mim. Claro que, às vezes, penso que aquilo pode ser universal, mas a música nasce primeiro da minha vivência.”

Para ela, viver experiências continua sendo mais importante do que esperar pela inspiração.

“Eu sempre tento viver algumas coisas antes de ir para o estúdio. Não é nem inspiração. É ter conteúdo para falar.”

“Nunca tive medo de cantar sobre uma mulher”

Um dos momentos mais marcantes da conversa aconteceu quando Carol falou sobre sua relação com o público LGBTQIAPN+.

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Ela acredita que nunca escondeu quem era e que isso acabou criando uma identificação muito forte com seus fãs.

“Eu sempre gostei de falar de amor de uma forma natural. Nunca foi um problema cantar sobre uma mulher.”

A artista lembra, inclusive, que já ouviu sugestões para tornar suas letras mais neutras.

“Muita gente dizia para trocar uma palavra, usar ‘você’. Mas eu nunca entendi isso. Sempre vi outros artistas cantando livremente sobre quem amavam.”

Hoje, ela enxerga esse posicionamento como um dos principais fatores que fortaleceram sua comunidade de fãs.

“Quando eu deixei de ter medo de ser chamada de artista lésbica, consegui me conectar ainda mais com o meu público.”

Carol também acredita que ocupar esse espaço significa oferecer referências para novas gerações.

“Hoje eu tenho sorte de poder ser referência para outras pessoas. Isso cria pertencimento. Faz as pessoas perceberem que elas também fazem parte desse lugar.”

“A Carol do começo da carreira ia achar esse show do caralho”

No encerramento da entrevista, perguntamos o que a Carol Biazin do início da carreira diria ao assistir, da plateia, esse show no Rock in Rio.

A resposta veio sem hesitação.

“Essa menina é do caralho. Olha esse show, porra.”

Ela admite que gostaria de viver a experiência de assistir a uma apresentação sua como espectadora, algo impossível para quem está sempre no palco.

“Eu queria muito poder assistir ao meu show do meio da plateia. Todo mundo da equipe fala que eu nunca vou ver isso. Infelizmente é verdade.”

Ainda assim, acredita que sairia orgulhosa.

“Eu acho que ia falar que o show tá do caralho. Com certeza seria isso.”

Se anos atrás ela sonhava em assistir a um show como esse da plateia, agora será ela quem abrirá o Palco Sunset, diante de milhares de pessoas, levando consigo a certeza de que encontrou seu próprio espaço na música brasileira.

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