Marisa Monte transforma show no Cine Lido em noite intimista

Marisa Monte se apresenta com violão acompanhada por sua banda no palco do Cine Lido, em Curitiba
Marisa Monte durante apresentação no Cine Lido, em Curitiba. Foto: Fran Augusto (Moodgate)

O segundo dia de Cine Lido seguiu a aposta de grandes nomes para inaugurar seus palcos: Marisa Monte, com todo seu esplendor e uma dose de magia que apenas sua doce voz é capaz de proporcionar. Com simplicidade, sua apresentação foi inesquecível por diversos motivos, e a proximidade com o público pode ser categorizada como um dos principais. Diante de uma opulenta estrutura, por diversos momentos a sensação era de acompanhar algo muito mais íntimo.

Com início pontual às 22h e diversos problemas de organização do dia anterior sanados, Marisa iniciou sua apresentação com uma sequência matadora: Maria de verdade, Vilarejo, O que você quer saber de verdade e Infinito particular, essa última responsável por um dos primeiros grandes momentos da noite, muito por causa do caráter identitário de sua letra e acordes tão autênticos, reconhecidos pela plateia logo nos primeiros segundos.

Desde o início, Marisa demonstrou que não precisava de muito para dominar o palco. Sem grandes excessos, a cantora conduziu a apresentação apoiada principalmente na força de suas músicas e em uma presença que, apesar de discreta, dificilmente passa despercebida. A relação com a banda também ajudou a reforçar essa sensação, com arranjos e instrumentos funcionando quase sempre como extensão de sua própria voz.

O repertório, aliás, foi recheado de hits de toda a carreira da artista, o que inclui, naturalmente, Os Tribalistas, um de seus projetos de maior sucesso ao lado de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Velha Infância provocou uma das maiores reações da noite assim que seus primeiros acordes foram entoados, com o público entrando rapidamente em um dos hinos de amor mais cultuados da música nacional. Outros trabalhos do trio apresentados no palco incluíram Carnavália, Aliança e Já Sei Namorar, que arrancou sorrisos de todos.

Muitas dessas músicas fazem parte da memória de quem já a acompanha há anos, e pouco foi necessário para que os primeiros acordes fossem imediatamente reconhecidos. Além de assistir à apresentação, o público deixou muito claro que estava ali também para fazer parte, auxiliando na construção da atmosfera que permeou durante toda a noite.

Pela segunda noite consecutiva, a voz do artista principal pareceu um pouco mais baixa do que o indicado, mas o detalhe não atrapalhou a experiência em nenhum dos casos. E o jogo de luzes mais uma vez foi um espetáculo à parte, contribuindo diretamente para a aura etérea da apresentação. Em algumas músicas, uma luz foi projetada às costas da cantora, destacando sua silhueta e escurecendo os arredores.

Sempre muito simples, o telão ao fundo do palco serviu como complemento para as histórias que eram contadas pelas músicas, sem disputar atenção com aquilo que acontecia à sua frente. Um momento especialmente bonito foi durante Lenda das sereias, rainha do mar, em que águas azulinas e calmas deram um ar encantado para a última música antes do bis.

Marisa Monte encerrou sua passagem pelo Cine Lido depois de pouco mais de uma hora, em que algumas de suas músicas mais conhecidas foram cantadas quase em uníssono pela plateia. Com uma banda impecável e um público que parecia não querer deixar a noite terminar, uma das maiores artistas da música brasileira conseguiu tornar ainda mais íntimo um palco que já favorecia o clima de proximidade com o público.