Foo Fighters celebram 25 anos de história com o Brasil em maratona de três horas no Rock in Rio

Foo Fighters encerra a primeira noite do Rock in Rio 2026 no Palco Mundo.

Vinte e cinco anos depois de sua primeira passagem pelo Brasil, justamente no Rock in Rio de 2001, o Foo Fighters voltou à Cidade do Rock para reafirmar uma relação construída ao longo de diferentes gerações de fãs. Em sua sétima visita ao país e terceira apresentação no festival, a banda liderada por Dave Grohl transformou mais de três décadas de repertório em uma maratona de duas horas na primeira noite do Rock in Rio 2026.

O número de bandas capazes de sustentar um show dessa duração diante de um público da dimensão do Rock in Rio é cada vez menor. Em uma noite chuvosa no Rio de Janeiro, porém, o Foo Fighters mostrou que seu catálogo permite exatamente isso. A passagem da turnê Take Cover pela Cidade do Rock trouxe uma avalanche de sucessos, músicas menos óbvias e algumas surpresas espalhadas pelo repertório.

Ao subir ao palco pontualmente às 00h05, Dave Grohl avisou o que estava por vir. “Esta noite, temos que tocar músicas dos nossos 31 anos para vocês”, disse à plateia. Ao longo das quase três horas seguintes, o Foo Fighters cumpriu a promessa com um show que raramente deu espaço para respirar.

Quando Stacked Actors apareceu, cerca de 40 minutos depois do início, a banda já havia passado por uma sequência de grandes sucessos. A escolha também serviu para dimensionar o tamanho do catálogo construído pelo Foo Fighters ao longo de três décadas. My Hero, apresentada ainda na primeira parte do show, proporcionou um dos primeiros grandes coros coletivos da noite e deixou evidente uma relação com o público brasileiro que, depois de tantas passagens pelo país, já não precisa ser construída do zero.

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“Se eu começar a falar, vamos ficar aqui a noite inteira”, acrescentou. Fiel à promessa, a banda minimizou os intervalos durante boa parte da apresentação. Muitas vezes, uma música terminava praticamente no momento em que outra começava, mantendo o ritmo intenso e deixando pouco tempo para a plateia se recuperar.

A primeira grande quebra nessa intensidade veio com Marigold. O momento mais contido ganhou peso justamente por surgir em meio a uma apresentação que, até então, parecia não querer diminuir o ritmo. Ainda assim, não demorou para Grohl e companhia retomarem a força que havia marcado a primeira hora.

Essa alternância se tornou mais evidente conforme a apresentação avançava. Breakout recuperou a energia mais explosiva do repertório, enquanto The Sky Is a Neighborhood trouxe uma dinâmica diferente e ajudou a conduzir o show para sua reta final. Mais do que separar rigidamente diferentes fases da carreira, o Foo Fighters parecia interessado em colocar passado e presente lado a lado.

Um dos momentos mais emocionantes veio com Aurora. A música foi dedicada a Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters morto em 2022, enquanto a plateia ergueu as lanternas dos celulares em sua memória. Em um show construído quase sempre em movimento, foi um dos poucos momentos em que a sensação era de que todos haviam parado juntos.

Depois de cerca de duas horas, Grohl agradeceu ao público pelas três décadas acompanhando a banda antes dos primeiros acordes de Best of You. Mesmo naquele ponto, o Foo Fighters não demonstrava intenção de simplesmente administrar os minutos restantes. A banda continuava tocando como se ainda precisasse entregar mais alguma coisa para uma Cidade do Rock completamente tomada.

E ainda havia espaço para surpresas.

No bis, antecedeu uma volta às origens. “Vamos terminar este show como costumávamos terminar há 31 anos”, anunciou Grohl antes de Exhausted, faixa do álbum de estreia Foo Fighters, de 1995. A escolha conectou diretamente aquela banda que começava sua trajetória três décadas atrás com o grupo que agora ocupava o maior palco de um dos maiores festivais do mundo.

Só que ainda não era o fim. Quando tudo parecia encerrado, Everlong surgiu para fechar definitivamente a noite, acompanhada pela tradicional queima de fogos do Rock in Rio. Duas horas haviam se passado desde que Dave Grohl subiu ao palco prometendo atravessar 31 anos de história. Mas havia outra linha do tempo sendo celebrada ali.

Vinte e cinco anos depois de o Foo Fighters desembarcar pela primeira vez no Brasil justamente para tocar no Rock in Rio, a banda voltou à Cidade do Rock encontrando uma relação com o público que já não precisa ser apresentada ou explicada.

Em sua sétima passagem pelo país, o Foo Fighters não tocou como uma banda vivendo apenas das próprias lembranças. Tocou com a intensidade de quem ainda parece ter algo a provar e encontrou diante dela milhares de brasileiros dispostos a acompanhar cada palavra.