Ao lado de Duquesa, Anchietx, Cupertino e Léo Guima transformaram o Palco Sunset em uma celebração do soul, do R&B e da música brasileira
São Gonçalo fica do outro lado da Baía de Guanabara, a poucos quilômetros da Cidade do Rock. Para Os Garotin, o caminho até o Palco Sunset foi bem maior. Anchietx, Cupertino e Léo Guima construíram uma trajetória que nasceu na cidade fluminense, ganhou o país e chegou ao Grammy Latino. Nesta sexta-feira (11), esse percurso encontrou um dos maiores palcos da carreira do trio.
E eles chegaram ao Rock in Rio fazendo exatamente aquilo que os trouxe até aqui.
Com banda, harmonias vocais e muito groove, Os Garotin transformaram referências de soul, R&B, samba, funk e MPB em uma linguagem própria. Ao lado de Duquesa, ainda encontraram espaço para aproximar esse universo do rap brasileiro atual.
O resultado mostrou que aumentar o tamanho do palco não exige transformar as músicas em algo que elas nunca foram. Às vezes, basta descobrir até onde elas conseguem chegar.


São Gonçalo chegou ao Palco Sunset
Garota abriu o repertório e apresentou rapidamente a linguagem que conduziria o restante do show. O baixo, as guitarras, as harmonias e principalmente a relação entre os três músicos carregam referências facilmente reconhecíveis da música brasileira, mas elas nunca aparecem como exercício de nostalgia.
Os Garotin usam esse vocabulário para fazer música agora.
Desculpa, mas Os Garotin têm MOLHO demais.
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) September 11, 2026
Não tem análise técnica que explique melhor esse show agora. 😭🔥#rockinrio pic.twitter.com/edYxYLNRaZ
Hoje Eu Vou Me Dar Bem, Fantástica, Curva Escura e Estranha Vontade Louca mantiveram essa dinâmica durante a primeira parte da apresentação. São músicas que dependem de balanço, pequenas mudanças de intensidade e interação entre instrumentos, características que poderiam perder força diante das dimensões do Sunset.
A resposta veio da própria banda.
Uma banda feita para tocar
É ao vivo que algumas das melhores características d’Os Garotin ficam mais evidentes. Anchietx, Cupertino e Léo Guima não funcionam como três cantores acompanhados por músicos. Existe uma dinâmica de banda no centro do projeto.
“Nossa Resenha” com milhares de pessoas no Rock in Rio.
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) September 11, 2026
Talvez a resenha tenha crescido um pouquinho. 😭🔥
pic.twitter.com/bsNb4bykbO
Baixo e bateria seguraram boa parte do peso enquanto guitarras, teclados e vozes encontraram espaço para respirar. Os arranjos cresceram quando precisaram e recuaram quando as músicas pediam menos.
Essa dinâmica foi importante porque o Sunset poderia facilmente engolir parte da intimidade do repertório. Aconteceu o contrário. O tamanho do palco revelou a força que essas músicas conseguem alcançar quando os arranjos ganham espaço para crescer.
Calor do Momento, Se Joga e Nossa Resenha reforçaram essa característica. O groove deixou de funcionar apenas como elemento sonoro e passou a determinar a movimentação da apresentação, tanto entre os músicos quanto na resposta diante do palco.
Duquesa entra na conversa
A chegada de Duquesa modificou a dinâmica sem interromper aquilo que Os Garotin já estavam construindo.
A rapper apareceu primeiro em território próprio. Big D!!!!! e Voo 1360 levaram duas músicas de seu repertório para dentro da instrumentação do trio e aproximaram ainda mais rap, R&B e soul.
AGORA FICOU PERIGOSO. 🚨
— Moodgate ⚡️ (@Moodgate_) September 11, 2026
Duquesa acaba de chegar para encontrar Os Garotin no Palco Sunset.
Bahia 🤝 São Gonçalo. pic.twitter.com/3duNiTCg1n
Essa escolha fez diferença. Em vez de reservar uma única participação para a convidada, o show deu espaço para que Duquesa entrasse de fato naquela linguagem. O contraste entre sua maneira de ocupar o palco e a dinâmica dos três músicos criou outra energia sem transformar sua presença em um intervalo dentro do repertório.
A parceria voltou a aparecer em Queda Livre, escolhida para encerrar a apresentação. Depois de passar por músicas dos dois lados, fazia sentido que o último momento também fosse compartilhado.
O encontro colocou no mesmo palco artistas que partiram de lugares diferentes para construir linguagens que se cruzam. De um lado, três músicos de São Gonçalo trabalhando instrumentos, harmonias e soul brasileiro. Do outro, uma artista de Feira de Santana que encontrou no rap, trap e R&B caminhos para contar suas próprias histórias.
Nenhum dos lados precisou diminuir sua identidade para a colaboração funcionar.
A força da juventude
A reta final encontrou justamente algumas das músicas que melhor resumem o momento vivido pelo trio.
Carinha de Neném e Zero a Cem prepararam o caminho para Soul Brasileiro e Força da Juventude. Colocadas próximas no repertório, as duas últimas quase funcionaram como uma declaração de princípios.
O soul está no nome de uma. A juventude, no da outra. Mas essa juventude não está apenas na idade de Anchietx, Cupertino e Léo Guima. Está na liberdade com que os três transitam por referências que durante muito tempo foram colocadas em categorias diferentes. Soul, R&B, samba, funk e MPB convivem porque, para Os Garotin, nunca houve muita necessidade de estabelecer fronteiras entre eles.
Pouco a Pouco encaminhou a apresentação para o último encontro com Duquesa. Em Queda Livre, o show terminou justamente como havia se desenvolvido: através da troca.
Chegar ao Rock in Rio representa uma mudança de escala. O palco cresce, a plateia aumenta e músicas criadas em outros contextos precisam encontrar maneiras de ocupar aquele espaço.
Os Garotin encontraram a deles e o palco estava na Cidade do Rock. O groove continuou vindo de São Gonçalo.


