Mac DeMarco é o indie romântico do indie?

Mac DeMarco
Imagem: Reprodução

A dualidade inquietante que define a persona de Mac DeMarco transita entre dois extremos bem delineados. De um lado, há a melancolia sintética para os corações partidos de Chamber of Reflection, que furou a bolha indie e encontrou novos públicos ao viralizar no TikTok. Do outro, emerge a “vagabundagem desbocada” (no melhor dos sentidos) dos tempos de Rock and Roll Night Club, que carrega o deboche como um estilo de vida.

Essa forma sincera de permear por estes distintos moods é a chave para entender esse fenômeno da música indie.

Nascido em Duncan, no Canadá, em 1990, Mac DeMarco construiu uma carreira em cima de uma estética que pode ser sintetizada por um som desleixado, lo-fi e que parece gravado em uma tarde preguiçosa de domingo. Mas por trás da guitarra suja e das letras aparentemente simplórias, se revela um compositor que consegue capturar  momentos pontuais do cotidiano e nuances estranhas e desconfortáveis do amor.

A vulnerabilidade de Mac DeMarco

Suas músicas não vendem um ideal de amor perfeito, longe disso. A forma com a qual ele se expressa se dá pela exposição da insegurança e da melancolia, sensações que costumam acompanhar os sentimentos mais genuínos.

Seu trabalho mais recente, Guitar (2025), volta a reforçar essa ideia. Um álbum intimista em que ele tocou todos os instrumentos presentes e que revela composições mais íntimas e sofisticadas. Em Phantom, por exemplo, logo no primeiro verso, Mac DeMarco canta “Sure I’d give it up”, ou “claro que eu desistiria”, na tradução literal. Logo após esta forma explícita de mostrar-se vulnerável, a letra da música nos leva para um cenário de solidão e arrependimento.

No fim das contas, o jeito cativante se encontra na simplicidade e na pureza das letras. Mas é importante não confundir simples com raso, pois ali, nas poucas palavras, existe uma grande profundidade.

Os contrastes com o indie atual

Trazendo primeiramente para o contexto de uma apresentação ao vivo, é fácil notar a coalização entre as músicas, a estética e a forma de agir no palco, que talvez seja o mais próximo de uma representação verdadeira de onde Mac DeMarco se encontra na vida. Parece não haver um personagem e nem mediação irônica. É o que é, pura e simplesmente como as suas composições.

Isto contrasta profundamente com o espírito de uma época em que a autenticidade, para ser aceita, precisa vir acompanhada de uma piscadela, de um subtexto que diz saber que algo é considerado “brega”, mas que de um jeito sarcástico finge não saber. Mac não se presta a esse tipo de performance, ele simplesmente parece não se importar com o juízo de valor que permeia esse jogo de cintura social.

E para uma geração que aprendeu a se proteger por trás de camadas de ironia, em que até o afeto precisa vir acompanhado de uma validação de terceiros, a arte de Mac DeMarco se torna ainda mais marcante, se destacando, sobretudo, no meio da cena do indie atual.

Turnê no Brasil

Mac DeMarco vem ao país junto à sua banda para uma série de apresentações, passando por diversas cidades. A turnê chega para realizar o show de seu novo álbum Guitar, lançado no ano passado por sua própria gravadora.

Reprodução: Balaclava

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