Do metalcore ao som híbrido: como o LANDMVRKS construiu sua identidade em quatro discos

Integrantes do LANDMVRKS, banda francesa de metalcore que estreia no Brasil em 2026
LANDMVRKS faz sua primeira apresentação no Brasil no dia 20 de setembro, em São Paulo. Foto: Alexis Fontaine/Divulgação

A cena europeia de metalcore encontrou em Marselha, na França, um de seus principais nomes da última década. Agora, o Brasil se prepara para receber o LANDMVRKS pela primeira vez. Trazido pela Liberation MC, o grupo desembarca em São Paulo no dia 20 de setembro para uma apresentação única no Carioca Club.

Formado em 2014, o quinteto é composto por Florent Salfati (vocal), Nicolas Exposito e Paul C. Wilson (guitarras), Rudy Purkart (baixo) e Kévin D’Agostino (bateria). Ao longo de quatro discos, a banda passou por diferentes fases até construir uma identidade que hoje mistura metalcore, hip-hop, elementos eletrônicos e melodias.

A Moodgate relembra como cada álbum ajudou a construir essa evolução.

As eras do LANDMVRKS

Hollow (2016)

Em seu álbum de estreia, Hollow, o LANDMVRKS apostava em uma sonoridade mais direta e próxima das bases tradicionais do metalcore. Guitarras pesadas, estruturas agressivas, velocidade e breakdowns ajudaram a estabelecer a primeira identidade do grupo dentro da cena europeia.

Faixas como Wrong Generation, Winter, com Mattéo Gelsomino, e Hollow apresentam essa versão mais crua da banda, com pouco espaço para as experimentações que ganhariam importância nos trabalhos seguintes.

O disco funciona, assim, como o ponto de partida para entender a transformação que aconteceria ao longo da década seguinte.

Fantasy (2018)

Dois anos depois, Fantasy começou a ampliar as possibilidades do LANDMVRKS. O peso continuava presente, mas melodias limpas e refrões maiores passaram a dividir mais espaço com os vocais rasgados e as passagens agressivas.

A transição entre esses extremos também ficou mais natural. Aos poucos, a banda começou a mostrar que sua identidade poderia ir além de uma fórmula mais tradicional do gênero.

Scars, com Florestan Durand, do Novelists, The Worst of You and Me e Fantasy representam bem essa mudança. O segundo disco começou a apresentar elementos que seriam explorados com ainda mais liberdade nos anos seguintes.

Lost in a Wave (2021)

Se Fantasy abriu algumas portas, Lost in a Wave atravessou várias delas.

No terceiro álbum, o LANDMVRKS incorporou de vez elementos de hip-hop, trap e eletrônica ao metalcore. Florent Salfati também ganhou mais espaço para explorar diferentes formas de cantar, alternando rimas rápidas, vocais limpos e guturais dentro de uma mesma música.

Essa mistura passou a ser uma das principais características da banda e ajudou a ampliar seu alcance para além da cena europeia.

Faixas como Overrated, Rainfall e Lost in a Wave representam esse momento. A faixa-título, em especial, tornou-se uma das músicas mais importantes do repertório e um dos momentos mais aguardados dos shows do grupo.

Era cada vez mais difícil colocar o LANDMVRKS dentro de uma única definição de metalcore.

The Darkest Place I’ve Ever Been (2025)

A evolução sonora encontrou um novo estágio em The Darkest Place I’ve Ever Been.

O quarto álbum reúne diferentes elementos desenvolvidos pelo LANDMVRKS ao longo dos trabalhos anteriores e amplia a abordagem conceitual da banda. O peso continua no centro das músicas, mas passa a dividir espaço com hip-hop, eletrônica, melodias e mudanças constantes de atmosfera.

Faixas como Blood Red, A Line in the Dust, com Mat Welsh, do While She Sleeps, Creature e Sulfur condensam boa parte dessa identidade. Em vez de escolher entre as diferentes sonoridades experimentadas ao longo da carreira, o quinteto passou a colocá-las dentro do mesmo universo.

Quando o LANDMVRKS subir ao palco do Carioca Club, no dia 20 de setembro, essa evolução estará condensada em um único repertório. Da agressividade de Hollow às experimentações de The Darkest Place I’ve Ever Been, a primeira passagem pelo Brasil também será uma oportunidade de acompanhar ao vivo os caminhos que transformaram o quinteto em um dos principais nomes da nova geração do metalcore europeu.