Após uma estreia arrebatadora em solo brasileiro que consolidou sua base de fãs no país, o Spiritbox está prestes a colidir novamente com a América Latina. Reconhecidos pela crítica especializada com sucessivas indicações ao Grammy, o quarteto formado por Courtney LaPlante (vocal), Mike Stringer (guitarra), Zev Rose (bateria) e Josh Gilbert (baixo) retorna ao Brasil em um momento de maturação artística ímpar, com abertura para os shows do Korn, em São Paulo, no Allianz Parque, em 16 de maio. A turnê passa por outros países da América Latina também.
Se na primeira passagem por aqui a banda era uma promessa em ascensão, hoje eles desembarcam como uma das vozes mais sofisticadas do metal moderno, navegando pela densidade do novo álbum Tsunami Sea (2025).
Para te preparar para o que está por vir, a Moodgate te conta o “Lado B” essencial do Spiritbox: aquele que apresenta a delicadeza e o virtuosismo que residem sob a densidade das guitarras da banda. Para além dos hits, confira esse viés nas músicas a seguir:
5. Ride the Wave (do álbum Tsunami Sea, 2025)
O nome do álbum não é à toa, e Ride the Wave o traduz com maestria. A faixa é uma exploração profunda de texturas aquáticas, usando reverbs intensos e a bateria de Zev que simula o impacto de ondas pesadas, com sutil malevolência. A letra aborda dúvidas e dificuldades de expressar sentimentos, fazendo alusão ao oceano e sua agitação com metáforas.
É disruptiva por substituir o tradicional riff de metalcore por camadas de sintetizadores e guitarras limpas que criam uma parede de som esmagadora pela densidade, não apenas pelo ganho, traduzindo uma imensidão oceânica e fria.
4. Too Close / Too Late (do EP The Fear of Fear, 2023)
Too Close / Too Late é intimista e sombria, com um clipe que utiliza uma paleta de cores dessaturada, focando em tons de cinza, branco e azul gélido, com um ritmo hipnótico que simula o estado de paralisia que a letra descreve. Tudo isso em um ambiente voltado ao surrealismo minimalista.
Como o próprio nome já instiga, a faixa traz o arrependimento de ter perdido aquela chance que, um dia, esteve tão perto, mas agora já é tarde.
Enquanto o instrumental flerta com o trip-hop e o post-rock minimalista, a voz de Courtney é um sussurro próximo, quase confessional. Existe uma tensão latente que não se resolve com um grito, mas com uma pressão constante, como se você estivesse submerso em água morna, mas sem conseguir subir à superfície.
É uma faixa que se recusa a explodir rápido, mantendo o ouvinte em um estado de ansiedade melódica.
3. Perennial (do EP Singles Collection, 2019)
Perennial é a pedra fundamental da identidade da banda, uma peça de post-metal etéreo que equilibra beleza e melancolia. O clipe abraça uma estética mística e orgânica, utilizando uma floresta invernal e fumaça para criar uma atmosfera de “sonho lúcido”, estabelecendo o padrão de mistério elegante que se tornaria a marca registrada do grupo.
A letra mergulha em ciclos de renovação e na dor inevitável do crescimento. Musicalmente, a faixa é um estudo de arquitetura sonora: começa com um dedilhado limpo e espacial que evolui para uma parede de som intransponível, antecipando em 2018 a grandiosidade oceânica do Tsunami Sea.
A voz de Courtney transita entre o puro e o gutural, provando que o peso do Spiritbox nasce da carga emocional. É uma composição de construção paciente (slow-burn) que chega ao ápice conforme chega ao fim.
2. Aphids (do EP Spiritbox, 2018)
Aphids é a expressão máxima do caos matemático e do virtuosismo técnico da banda. Visualmente, a estética é crua e focada na performance, transmitindo uma urgência que combina com os riffs dissonantes de Mike Stringer.
Representando o lado mais “nerd” e técnico do Spiritbox, a faixa traz mais do metal progressivo pela sua precisão rítmica. A letra e a música funcionam como uma engrenagem complexa, em que Courtney utiliza vocais agressivos para pontuar métricas difíceis.
A letra explora a sensação de estar sendo “consumido” por algo ou alguém, assim como os pulgões drenam a vida das plantas (daí se explica o nome). É uma música sobre a perda de autonomia e a percepção tardia de que você permitiu que uma influência externa te usasse até não sobrar mais nada.
1. Halcyon (Eternal Blue, 2021)
Halcyon é o exemplo definitivo da dualidade entre o sonho e o pesadelo. A faixa começa mergulhada em uma estética shoegaze contemplativa, com vocais suaves e camadas de guitarra que evocam uma tranquilidade viciante. No entanto, essa calma é uma armadilha: o clipe e a sonoridade evoluem para um encerramento visceral, em que a luz cede lugar a uma escuridão densa e inevitável.
A faixa possui um contraste dinâmico extremo e seu final apresenta um dos breakdowns mais lentos e brutais de Eternal Blue, o primeiro álbum de estúdio da banda, ilustrando perfeitamente o conceito de “beleza no caos”. Ela fala sobre o fim inevitável de um ciclo e a sensação de estar assistindo a algo belo se desintegrar, o que, ritmicamente, se tem a mesma sensação.
É uma jornada sonora que força o ouvinte a transitar entre a melancolia solar e a agressividade absoluta, mostrando que o Spiritbox consegue manipular emoções opostas em uma única composição.
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