O Rock in Rio costuma reunir alguns dos maiores nomes da música mundial. Por isso, é natural que a atenção fique concentrada nos headliners. No entanto, se existe uma banda acostumada a desafiar essa lógica, ela atende pelo nome de The Hives.
Formado em 1993, na cidade sueca de Fagersta, o quinteto se consolidou como um dos principais nomes da explosão do garage rock dos anos 2000, ao lado de The Strokes e The White Stripes. Porém, a reputação construída ao longo de mais de três décadas vai muito além dos discos. Entre fãs, críticos e músicos, existe praticamente um consenso: poucas bandas conseguem entregar um show tão intenso quanto o The Hives.
Uma máquina feita para incendiar plateias
A fórmula parece simples. Músicas curtas, riffs explosivos e refrões feitos para serem cantados em coro. Ainda assim, o diferencial está na forma como tudo isso ganha vida no palco.
Além disso, a mistura de garage rock, punk rock e rock n’ roll cria um repertório capaz de incendiar uma multidão, mesmo quando parte do público não conhece as músicas. Em festivais, esse fator costuma fazer toda a diferença.
Grande parte desse impacto passa por Pelle Almqvist. Considerado um dos melhores frontmen do rock contemporâneo, o vocalista combina a irreverência de Iggy Pop com o carisma de Mick Jagger.
Ao mesmo tempo, sua presença de palco é quase teatral. Em poucos minutos, ele consegue transformar qualquer plateia em parte do espetáculo. Consequentemente, o público deixa de ser apenas espectador e passa a participar ativamente do show.
Não por acaso, o The Hives costuma crescer ainda mais em festivais. O próprio Pelle já declarou que a missão da banda nesses eventos é “destruir todas as outras bandas”. Embora a frase faça parte da persona construída pelo grupo, ela resume bem a mentalidade da banda ao subir no palco.

Uma identidade impossível de ignorar
O visual também ajuda. Os tradicionais ternos em preto e branco se tornaram uma assinatura instantaneamente reconhecível.
Além da música, essa identidade visual faz com que a banda se destaque em qualquer line-up. Em um festival repleto de atrações disputando atenção, cada detalhe conta. Nesse sentido, o The Hives chega ao palco com uma vantagem difícil de ignorar.

Talvez o principal motivo para acreditar que o The Hives possa roubar a cena no Rock in Rio seja justamente a sensação de urgência que ainda transmite. Enquanto muitos veteranos se apoiam na nostalgia, o quinteto sueco continua tocando como se tivesse algo a provar.
Por fim, se conseguirem reproduzir no festival a intensidade que os transformou em uma das bandas ao vivo mais celebradas das últimas décadas, existe uma boa chance de que muita gente deixe a Cidade do Rock falando menos dos headliners e mais daqueles cinco suecos de terno que transformaram o palco em um verdadeiro motim de garage rock.


