Zara Larsson tinha tudo para dominar o pop. Por que isso nunca aconteceu?

Zara Larsson segura uma concha em ensaio inspirado na estética de Midnight Sun
Zara Larsson consolidou uma identidade visual mais marcante durante a era Midnight Sun.

Em 2015, era praticamente impossível ligar em uma rádio ou entrar em uma loja de departamentos sem ouvir Lush Life. Pouco depois, vieram Never Forget You, Ain’t My Fault, I Would Like, This One’s for You e, claro, Symphony.

Zara Larsson estava em todos os lugares. Porém, algo muito curioso sobre isso é que muita gente não sabia de quem eram essas músicas tão “chicletes”.

A cantora sueca é uma daquelas artistas que construíram carreiras peculiares: suas músicas acumularam bilhões de reproduções, seu primeiro álbum internacional, So Good, se tornou um fenômeno nas plataformas e sua voz esteve presente em rádios, festas e playlists ao redor do mundo. Mesmo assim, bastava perguntar quem cantava alguns desses sucessos para ouvir a mesma reação: “Ahh, então é ela que canta essa música?”.

Zara era, de fato, famosa. Na verdade, suas músicas eram mais conhecidas do que a sua figura física. Logo, ela nunca conseguiu transformar completamente esses dois elementos em uma única “coisa”.

Uma popstar perfeita na teoria

A carreira de Zara Larsson começou aos 10 anos, quando venceu o Talang, versão sueca do reality show de talentos Got Talent, e passou boa parte da infância tentando transformar aquela vitória em algo maior, mais relevante. Ainda adolescente, lançou Uncover, que foi um sucesso em países europeus, mas só conquistou o mercado internacional com Lush Life.

Quando So Good chegou, em 2017, o universo musical ganhou um álbum que reunia produtores de peso, colaborações impecáveis e uma sequência quase absurda de músicas feitas para dominar as paradas. Mas ela ainda estava estagnada.

Ela estava em Symphony, do Clean Bandit, também cantou com David Guetta em This One’s for You e dividiu Never Forget You com MNEK. Não tem como negar que ela entregou hits e refrões perfeitos para academias, festas, rádios e playlists variadas no Spotify. Suas músicas sempre foram eficientes, muito bem produzidas e extremamente fáceis de consumir. Mas, novamente, existiram sem que o público soubesse praticamente nada sobre quem estava cantando.

A própria Zara já reconheceu esse problema, o que é visto no documentário Zara Larsson: Up Close. Na produção, a artista comentou que as pessoas conheciam suas músicas, mas não sabiam que eram cantadas por ela. Ela mesma assumiu que tinha sucessos, mas faltava relevância na mídia.

Seu problema nunca foi talento, mas talvez a falta de uma sorte a mais…

…então vieram os golfinhos

A mudança na sua carreira começou de uma maneira que nenhuma gravadora conseguiria planejar, afinal foi totalmente orgânico.

No fim de 2024, Symphony voltou a viralizar no TikTok por meio de vídeos com golfinhos coloridos, imagens exageradamente felizes e legendas propositalmente dramáticas. A estética era divertida e absurda, além de nostálgica e perfeitamente adaptada ao humor da internet.

Zara, esperta como é, fez o que muitos artistas não conseguem fazer quando se tornam memes: entrou na brincadeira sem parecer desesperada por atenção. Em vez de ignorar o fenômeno ou transformá-lo em uma campanha artificial, ela passou a incorporar os golfinhos em shows, projeções e conteúdos. E deu tudo certo!

Essa linguagem foi ampliada em Midnight Sun, single que traz cores vibrantes, referências aos anos 2000, flores, brilhos, sereias, golfinhos e uma sonoridade mais exagerada. Sim, Zara finalmente criou um universo fácil de reconhecer!

Agora, o caminho é só para a frente!

A colaboração com PinkPantheress em Stateside também ajudou a transformar essa reconstrução em resultados concretos. Após a patinadora Alysa Liu usar a música nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, a faixa incrivelmente explodiu nas plataformas, e deu a Zara seu primeiro sucesso no top 10 dos Estados Unidos. O resto é história!

Zara Larsson vai continuar se apresentando em grandes festivais e fazendo shows em todo o mundo, com a diferença que agora muito mais pessoas conhecem seu rosto.