Black Eyed Peas celebra a nostalgia dos anos 2000 em noite intensa de chuva no Rock in Rio

Em uma década marcada pela revalorização da cultura dos anos 2000, poucos nomes carregam tanta memória afetiva quanto o Black Eyed Peas. Sob a chuva que castigou a Cidade do Rock neste domingo (6), o grupo teve a missão de mostrar por que suas músicas continuam atravessando gerações.

Penúltima atração do Palco Mundo, a formação com will.i.am, apl.de.ap, Taboo e J. Rey Soul encontrou uma multidão encharcada e à espera de uma sequência de hits. Mesmo com diversas apresentações acontecendo simultaneamente pelo festival, era nítido que boa parte do público aguardava pelo grupo. Naquela altura da noite, era justamente nos clássicos dos anos 2000 que muita gente buscava algum tipo de calor.

A chuva se intensifica, o grande telão de LED do Palco Mundo ilumina toda a Cidade do Rock e o Black Eyed Peas surge de forma monumental. A atmosfera se transforma ao começarem com Let’s Get It Started que estremece tudo em sua volta e traz o calor que o público desejava. E sem respirar, surge o hit Boom Boom Pow, diretamente do aclamado álbum The E.N.D., continuando a intro esplêndida do grupo.

A felicidade estampada nos olhos, amigos abraçados e os pulos intensos cessaram por alguns segundos para um breve respiro. Black Eyed Peas ainda não estava satisfeito e precisava demonstrar mais para o seu público. Os primeiros segundos de sintetizador começam e Rock That Body toma a sua forma. A plateia enloquece em pulos e abraços para cantar um dos maiores clássicos. Um dos pontos altos que ficará marcado nessa edição.

E vale ressaltar muito a performance e intensidade vocal da J. Rey Soul por assumir uma posição de grande responsabilidade. Não se deixa levar por comparações e exibe com charme a sua voz angelical. E isso, conecta a um ponto negativo da apresentação que foi o corte de trechos da Fergie em algumas músicas e alguns hits como Imma Be foram cortados, talvez pelo peso da mesma.

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BLACK EYED PEARS E A SUA PROXIMIDADE COM O BRASIL

O show segue com RITMO e MAMACITA trazendo ginga e conduzindo para um novo momento. A surpresa de Will.i.am foi trazer o artista Papatinho aos palcos para mostrar a brasilidade do funk com Eu só quero é ser feliz e, logo mais, o novo single conjunto We Live Up In Here.

É poética a forma como Will.i.am se comunica com o público brasileiro e detalha a sua relação com a cultura do país. Mostra o quanto valoriza e é feliz estando em terras brasileiras. Em um breve momento tocando o seu hit Scream & Shout, a homenagem ao país continua com um grande tributo ao artista Sérgio Mendes com storytelling no telão e Mas que nada de Jorge Ben Jor é tocada pelo grupo.

A RETA FINAL COM UM “GOSTINHO DE QUERO MAIS

Com 19 músicas na setlist, os aguardados hits como Pump It, Don’t Stop the Party e I Gotta Feeling transformaram a pista do Palco Mundo em uma grande festa dos anos 2000, e finalmente, aquecendo os corações do público que sabe o potencial de uma performance de Black Eyed Peas em sua bela essência.

A performance fechando com grandes hits ainda fez o público duvidar se teria acabado e o sentimento de quebra de expectativa por algo que poderia ter sido muito maior pulsou. O grupo, feito de músicas que serão ecoadas pela eternidade, demonstrou uma setlist desorganizada e parece não ter chocado o público da forma que esperava.

O Black Eyed Peas tem carisma e uma relação linda com o Brasil podendo transformar a Cidade do Rock numa enorme catarse, mas se perderam no ritmo do show mesmo sendo construído de forma magistral em seu início. São detalhes que interferiram na experiência do público, que ali aguardava diante de chuva.