Lollapalooza Brasil 2026 abre com diversidade e grandes momentos em Interlagos

Ruel se apresentando no Lollapalooza Brasil 2026 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, durante o primeiro dia do festival
Ruel no Lollapalooza Brasil 2026. Foto: Amanda Gaya / Moodgate

O primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026 incendiou o autodromo de interlagos em sao paulo com uma mistura de estilos que confirmou a diversidade do evento: do punk energético ao pop contemporâneo de estádio. Sob um calor intenso e com milhares de pessoas circulando entre os diferentes palcos, o festival começou com apresentações que deixaram claro que a edição deste ano tinha como objetivo combinar artistas emergentes com nomes consagrados da indústria musical global.

Terraplana

Com muita criatividade e sentimentalismo, a banda Terraplana representa o gênero shoegaze no festival trazendo, com intensidade, melancolia para o público do primeiro dia de Lollapalooza 2026. É nítida a diferenciação do público que de um lado busca conhecer e absorver, e do outro os fãs que já conhecem inteiramente o grupo.

Diretamente do novo álbum Natural, o show começa com a psicodélica salto no escuro criando atmosfera para o que vem a seguir. Em um momento de mais explosão, Terraplana começa desaparecendo mostrando a versatilidade dos integrantes nos vocais e trazendo mais potência para o palco Samsung Galaxy.

Ao caminhar para o final da apresentação, Terraplana exemplifica o porquê de estar em ascensão com a sua maturidade e autenticidade. As músicas airbag e me esquecer elevam o público ao nível máximo de peso e psicodelia conduzindo o show de forma esplêndida e sendo ovacionados.


Uma banda que conseguiu levar o shoegaze para a plateia de forma intensa e com propriedade. É certo que muitos saíram dali impressionados e prontos para conhecer mais profundamente.

Viagra boys

Depois de esgotarem os ingressos para o side show na Audio (SP), na noite anterior (19), ao lado do Interpol, os suecos do Viagra Boys repetiram o feito no festival, desta vez ao ar livre e cercados por uma multidão que parecia perfeitamente alinhada ao espírito da banda: gente que nunca quis pertencer a lugar nenhum.

Logo nas primeiras músicas, Man Made of Meat, Slow Learner e Waterboy romperam o silêncio e anunciaram de vez a aguardada estreia do grupo no Lolla Brasil. O repertório também abriu espaço para momentos marcantes do album Cave World, com Punk Rock Loser, Ain’t No Thief e Troglodyte trazendo de volta a energia crua que define o som da banda. Por alguns instantes, o Palco Samsung Galaxy parecia se transformar em um daqueles bares apertados onde o punk encontra sua forma mais honesta.

O encerramento com Sports e Research Chemicals selou um show intenso e sem filtros. Mais do que um espetáculo, a apresentação deixou claro que o punk continua sendo um espaço para dizer o que se pensa, mesmo quando isso incomoda.

Ruel

Ruel trouxe um respiro diferente dentro da intensidade do festival. Em um show caloroso e intimista, o cantor apostou na simplicidade bem executada, com a voz e a interpretação como protagonistas de uma apresentação que prendeu a atenção do início ao fim.

À vontade no palco, Ruel conduziu o público com uma energia tranquila, mas segura, criando uma conexão direta que fez o show parecer mais próximo do que o habitual em festivais. Entre as músicas, abriu espaço para conversar com a plateia, agradecendo e convidando todos a desacelerar por alguns instantes, sem que a intensidade emocional se perdesse.

No repertório, apresentou uma seleção equilibrada de suas faixas mais conhecidas, transitando entre o pop e uma sensibilidade mais soul. Houve momentos de coro coletivo, passagens mais delicadas e um encerramento pensado para deixar o público com aquela sensação boa, sem precisar de grandes excessos.

Em meio a uma noite marcada por contrastes, Ruel se destacou justamente pela elegância e pela honestidade com que conduziu sua apresentação.

Interpol 

Ver o Interpol no Brasil já virou quase um ritual. Ao longo dos anos, a banda construiu uma relação especial com o público daqui, marcada por apresentações memoráveis no Lollapalooza, na Audio (SP) e no Vivo Rio (RJ). Com tantas visitas ao país, cada retorno deixa de parecer apenas mais um show e ganha a sensação de reencontro. Paul Banks e companhia sabem disso e nunca parecem hesitar em voltar.

No palco, o grupo nova-iorquino apresenta um setlist que atravessa mais de duas décadas de carreira. All the Rage Back Home, do álbum El Pintor, abre a apresentação e estabelece o tom da noite. Como de costume, o Interpol prefere deixar que as músicas falem por si. Banks faz uma breve saudação ao público em português, suficiente para criar um momento de proximidade antes que as guitarras tensas e o clima melancólico, marca registrada da banda desde os anos 2000,  assumam o protagonismo.

Enquanto isso, no Samsung Galaxy Stage, o público já começa a se movimentar em direção ao próximo show. A dinâmica típica de festival se impõe: olhares atentos ao horário e pequenos deslocamentos rumo às grades. Ainda assim, alguns permanecem até o fim, entregando-se a faixas como C’mere, The Rover e PDA. São essas músicas que lembram por que o Interpol continua sendo um refúgio para quem encontra na elegante escuridão do pós-punk um lugar para ficar um pouco mais, mesmo quando o festival já começa a seguir em outra direção.

Deftones

Após dez anos longe do Brasil, o Deftones voltou ao país como uma das atrações mais aguardadas do festival e entregou exatamente o que se esperava: um show intenso, pesado e carregado de expectativa. No repertório, espaço tanto para faixas de Private Music, trabalho mais recente, quanto para clássicos que mantiveram o público em constante resposta.

Mesmo em horário nobre, encerrando a noite no palco  palco Samsung Galaxy, a banda liderada por Chino Moreno abriu a apresentação com Be Quiet and Drive (Far Away), seguindo uma tradição já conhecida pelos fãs. Com energia constante, Moreno percorreu o palco enquanto a banda avançava por músicas como My Mind Is a Mountain e Locked Club, antes de engatar momentos mais explosivos com Diamond Eyes e Rocket Skates.

Em pouco mais de uma hora, o Deftones reafirmou sua força no palco: guitarras cortantes, clima denso e uma entrega que transforma o show em uma experiência quase catártica. O formato de festival se encaixa bem à proposta da banda, ainda que, com um set mais amplo, alguns dos hinos mais aguardados pelo público pudessem ter ganhado espaço.

Sabrina carptner

Sabrina Carpenter fez sua estreia no Lollapalooza Brasil 2026 com uma apresentação à altura de uma estrela pop em plena ascensão. Desde os primeiros minutos, o show se revelou dinâmico e cuidadosamente produzido, com atenção aos detalhes que ajudaram a construir um espetáculo visual e musicalmente envolvente.

O cenário e os telões foram além da função estética: ajudaram a criar uma narrativa que reforçava o caráter teatral do concerto. No palco, Sabrina manteve o equilíbrio entre canto e coreografia com precisão, sustentando a performance sem perder o controle vocal ou a presença de palco.

Carismática, a cantora também apostou na proximidade com o público. Em vários momentos, demonstrou emoção e interagiu diretamente com a plateia, incluindo referências ao Brasil que rapidamente se tornaram pontos altos da apresentação.

O repertório percorreu alguns de seus maiores sucessos, acompanhados em coro por praticamente todo o público. Duas trocas de figurino e uma cama incorporada ao cenário ampliaram o aspecto performático do show.

Encerrada com fogos de artifício, a apresentação consolidou-se como uma das mais completas e comentadas do dia no festival.