O caminho entre uma Ópera de Arame lotada, o caos do Circo Voador e o Palco Supernova foi percorrido rápido. Neste sábado (5), LVCAS chegou ao Rock in Rio para viver o maior capítulo de sua ainda recente carreira autoral.
A estreia acontece em um contexto interessante. LVCAS encontra um festival tomado por um público que passa o dia cercado por nomes como Sepultura, Bad Omens, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold. Gente que talvez nunca tenha comprado um ingresso para vê-lo, mas que já chega naturalmente próxima do universo pesado que ele construiu nos últimos anos.



É justamente esse encontro que torna o Supernova um teste diferente daqueles que acompanhamos anteriormente.
Nas apresentações próprias, LVCAS já sabe que encontrará uma pista disposta a abrir rodas, cantar suas músicas e responder aos seus comandos. No Rock in Rio, parte dessa conexão precisa ser conquistada durante o próprio show. E é no palco que dá para perceber quanto essa carreira avançou em pouco tempo.
O caos ganhou experiência
A Moodgate acompanhou diferentes momentos dessa construção.
Em 2025, vimos LVCAS lotar a Ópera de Arame durante sua primeira turnê autoral com Humanamente. Neste ano, encontramos um artista mais confortável com seu próprio repertório na passagem da AMND por Curitiba. Poucas semanas depois, no Circo Voador, ele tocou guitarra no meio da pista enquanto rodas se espalhavam pelo público.
O Supernova permite observar o próximo estágio dessa evolução.
você nunca vai adivinhar com quem o lvcas estava falando nesse vídeo = ISSO É ROCK IN RIO!!!! #LVCASNoCanalBis #RockInRioNoGloboplay pic.twitter.com/lYi08RrbTA
— globoplay (@globoplay) September 5, 2026
Ao lado de Gabriel Bruce, Marcelo Braga, Isabela Sartor e DJ RTA, LVCAS desenvolveu um show em que metalcore, nu metal, rap e elementos eletrônicos convivem com mudanças constantes de dinâmica. A banda tem um papel fundamental nisso.
Ao vivo, o repertório encontra sua força justamente quando chega ao corpo. Guitarras pesadas encontram bases eletrônicas, os guturais aparecem entre melodias e as músicas frequentemente terminam com a pista em movimento.



A diferença para os shows que acompanhamos anteriormente estará na naturalidade dessa resposta. Se antes LVCAS precisava conduzir cada movimento da pista, o Supernova mostra que estar aqui e uma sensacao leve de quem estar seguindo os trilhos de um sonho. Houve um período em que apresentar LVCAS significava necessariamente explicar Lucas Inutilismo. A ligação continua fazendo parte da história, mas perdeu espaço conforme o repertório autoral cresceu.
Humanamente estabeleceu as primeiras bases. abatido mas não derrotado expandiu o universo musical e emocional do projeto. A estrada fez essas músicas crescerem diante do público.
Bico do Corvo, por exemplo, já mostrava essa transformação durante a passagem da AMND por Curitiba. Pouco depois do lançamento, a música aparecia escrita nos cartazes dos fãs.
Flores também ganhou outra dimensão ao vivo. No Circo Voador, ouvimos boa parte da casa cantando seus versos. A partir daí, importa menos de onde aquelas pessoas conheceram LVCAS. Existe um repertório capaz de sustentar a apresentação por conta própria.
Em novembro de 2024, antes de colocar a turnê de Humanamente na estrada, LVCAS conversou com a Moodgate sobre o risco de começar uma carreira autoral depois de já ter conquistado um público enorme na internet.
Ele dizia não tomar nada por garantido. Enxergava uma página em branco e sabia que teria de “escalar tudo isso de novo”.
Vieram Humanamente, a Ópera de Arame lotada, abatido mas não derrotado, a AMND, Curitiba, Circo Voador e uma sequência de shows que transformou aquelas músicas em uma experiência coletiva.
o que tá acontecendo no Palco Supernova agora no show do lvcas é SURREAL DE BOM @lucasinutilismo 🤘 #LVCASNoCanalBis #RockInRioNoGloboplay pic.twitter.com/y9VFshZCSb
— globoplay (@globoplay) September 5, 2026
Naquela mesma conversa de 2024, LVCAS resumiu suas ambições em poucas palavras: “Eu quero ir pras cabeça.” Quase dois anos depois, subiu ao palco do Rock in Rio.


